O simpósio coordenado pelo vice-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Mauro Enokihara, a respeito do "melanoma" – câncer de pele extremamente agressivo – foi um dos destaques do segundo dia de atividades científicas do 74º Congresso da SBD, que acontece no Rio de Janeiro até o dia 14 de setembro. Na oportunidade, os palestrantes do simpósio apresentaram tópicos sobre conceituação, métodos diagnósticos e tratamentos disponíveis para a doença.
Em sua participação, Mauro Enokihara ressaltou a importância do caráter interdisciplinar na assistência ao paciente com melanoma e abordou aspectos relacionados ao desenvolvimento da inteligência artificial, com foco na capacidade dos sistemas de interpretar corretamente dados e transformá-los em informações úteis, que podem auxiliar no diagnóstico do melanoma.
"A introdução de aparelhos na dermatologia vem ocorrendo já faz alguns anos. Em 2017, ocorreu a primeira publicação científica sobre a classificação das lesões dermatológicas feitas por computador. Redes neurais artificiais analisaram cerca de 130 mil imagens, com sucesso na diferenciação entre lesões benignas e malignas, demonstrando alto nível de competência", informou.
De acordo com o vice-presidente da SBD, o auxílio de computadores de alto desempenho tende a ser uma realidade no futuro. No entanto, garante ele, não há motivos para preocupação por parte dos especialistas, pois as máquinas – além de serem passíveis de falhas – não podem substituir a relação médico-paciente, hoje ancorada na afetividade, no acolhimento integral do indivíduo doente e na compreensão dos diversos aspectos inerentes à natureza humana.
Já a oncologista clínica e Chefe da Divisão de Pesquisa do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Andreia Melo, comentou o atual estado do tratamento sistêmico do melanoma. Segundo ela, muitos avanços aconteceram recentemente e diferentes substâncias com eficácia balizada por pesquisas e com perfis de toxicidade já estão disponíveis para os pacientes.
"Os estudos sobre melanoma têm conseguido trazer respostas para dúvidas a respeito das alterações moleculares, das mutações de genes, entre outros fatores sobre o modo como esses tumores se desenvolvem. As evidências têm indicado a utilização de terapia alvo combinadas como uma das alternativas (imunoterapia) mais eficazes para tratar a doença e garantir qualidade de vida aos pacientes", disse.
Melanoma acral – Também na coordenação do simpósio, Carlos Barcaui ministrou palestra sobre temas clínicos do melanoma acral, tipo raro de câncer, mais frequente em peles morenas e sem relação direta com a exposição ao sol. "Cerca de 30% desses casos recebem um diagnóstico equivocado. Os dermatologistas devem investir mais em examinar a região plantar e ter em mente essa patologia nos episódios de lesão acral inespecífica", salientou.
O encontro contou ainda com a participação de Juan Piñeiro-Maceira, docente da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), comentando a histopatologia do melanoma acral. Para o palestrante, os dermatologistas precisam estar capacitados para reconhecer as características de lesões e diferenciar manifestações benignas e malignas.
"No melanoma, é importante atentar ao padrão de cristas paralelas durante a dermatoscopia. No entanto, qualquer diagnóstico preciso deve ser fundamentado no comprometimento da junção da derme e epiderme e, em alguns casos, pela extensão da proliferação para a derme superior, atestada por um patologista", explicou.