A Associação Médica Brasileira (AMB) e a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) emitiram nota conjunta sobre as medidas de proibição de atividades consideradas não essenciais, até adoção de lockdown, para conter o descontrole do novo coronavírus no Brasil. No informativo, afirmam que o país vive o pior momento da pandemia desde a confirmação do primeiro caso de Covid-19, em fevereiro de 2020, com média de 2.300 mortes registradas em 24 horas nesta semana e com recordes batidos diariamente.
No texto, divulgado na segunda-feira (8/3), também demonstram preocupação quanto à alta ocupação de leitos hospitalares, incluindo leitos de unidades de terapia intensiva (UTI), que ultrapassam mais de 90% em diversos municípios de muitos estados, chegando a 100% em vários deles, tanto em hospitais públicos quanto privados.
Lockdown – Diante desses números, as entidades médicas ressaltam que medidas de distanciamento social são indicadas e devem ser proporcionais à realidade epidemiológica de cada local, "podendo chegar ao lockdown, quanto mais grave é a carência de leitos hospitalares e a propagação do vírus na comunidade." Na avaliação das entidades, o lockdown deve ser colocado em prática em “situações críticas e quando necessário, por período determinado, sendo uma medida individualizada, na tentativa de evitar o colapso do sistema de saúde local".
O documento frisa ainda a importância da adesão de medidas responsáveis e solidárias, como o uso de máscara (cirúrgica e tecido) e o distanciamento social por parte de todos neste momento.
Documento – "Os cidadãos que se negam a praticar as medidas preventivas, tais como uso de máscara, higienização das mãos, distanciamento físico, permanecer em isolamento respiratório domiciliar quando acometidos pela doença e não participar de aglomerações são os grandes responsáveis pelas graves consequências sociais e econômicas que assola o nosso país de maneira contundente", afirma o documento.
Os especialistas finalizam o texto fazendo um alerta em defesa da saúde da população. Segundo o informe, “nosso papel é agir em defesa de toda e qualquer medida fundamental para a proteção de vidas e, nesse momento, nas cidades e estados que estão próximos ao colapso do sistema de saúde, poucas medidas nos restam, incluindo medidas mais restritivas e rigorosas de distanciamento social, como adoção de toque de recolher e, eventualmente, o lockdown, até que possamos voltar a oferecer leitos hospitalares e atendimento médico digno à nossa população".
Desde o início da pandemia, em fevereiro do ano passado, mais de 270 mil pessoas morreram em decorrência da doença e mais de 11 milhões de casos foram notificados. A partir disso, a SBD vem mostrando seu posicionamento ao lado da ciência e da melhor prática médica em prol da saúde da população brasileira.