Tecnologia na medicina: ajuda ou atrapalha?




10 de dezembro de 2019 0

JSBD – Ano 23 – N.05

A tecnologia está cada vez mais presente no mundo contemporâneo. Desde compras on-line a pesquisas sobre diferentes assuntos, a rede também tem mudado a forma como as pessoas se relacionam. E na medicina essa realidade não é diferente. De um lado, os pacientes que podem acessar aplicativos específicos e outros dispositivos para controlar e acompanhar suas funções vitais, atividades esportivas, sono e cuidados com alimentação. De outro, médicos que utilizam diferentes ferramentas para os auxiliar no cuidado com a saúde de seus pacientes, usando, por exemplo, prontuários eletrônicos que facilitam o registro padronizado das informações; o armazenamento de imagens para documentação da evolução das doenças; o acesso aos dados de onde quer que esteja; e a emissão de receitas sem o risco de caligrafias ilegíveis.
 
O dermatologista Pedro Dantas é um entusiasta da tecnologia. Para ele, novas tecnologias devem ser vistas como ferramentas de auxílio no cuidado com a saúde, e não como empecilho à sua promoção. Lembra, aliás, que antes da internet o acesso à informação confiável era muito mais difícil. Além dos livros, tratados e eventualmente revistas científicas assinadas – que deveriam ser devidamente catalogadas e guardadas –, era primordial participar de eventos científicos, pois constituíam as principais oportunidades de atualização.

“Os recursos diagnósticos eram mais escassos, assim como o arsenal terapêutico, com alguns medicamentos de difícil aquisição. Hoje em dia, temos rápido acesso a um conteúdo imensurável e com grandes chances de tratar nossos pacientes com terapias atualizadas e baseadas em evidências. Os recursos diagnósticos têm-se mostrado cada vez mais precisos. Na dermatologia, especificamente, já existem algoritmos de análises de imagens de lesões pigmentadas com acurácia superior à de dermatologistas (Esteva et al. Nature, 2017)”, pontua.
 
O médico, entretanto, tem ressalvas sobre o uso indiscriminado da tecnologia para tudo.

“Atualmente, resolvemos quase tudo pelos aplicativos de mensagens e redes sociais. Mas é preciso cautela para que a relação humana entre médico e paciente não seja deixada de lado”, comenta e faz um alerta sobre consultas não presenciais: “Essa aparente facilidade esconde algumas armadilhas que devem ser consideradas em uma consulta médica. A consulta virtual reduziria o processo de maneira significativa. A anamnese se resumiria a um preenchimento de formulário; o exame físico se basearia em fotos ou vídeos enquadrados a critério dos pacientes; o diagnóstico baseado em algoritmos; e a conduta em consensos e protocolos preestabelecidos. Transformaríamos o cuidado à saúde em uma ciência exata, absoluta, cartesiana. O que faltaria nesse processo? A interação real entre médico e paciente, que é primordial para o acolhimento, direcionamento, gestão e compreensão de fatores que perpassam os formulários e fotos”, avalia, enfatizando, ainda, que, apesar de ferramentas diagnósticas com base em inteligência artificial se tornarem uma realidade acessível, elas demandam que os médicos reconheçam seu papel como gestores da saúde de seus pacientes, como os médicos de família faziam no passado.
 
Outro ponto importante sobre o tema e que muitas vezes pode ser prejudicial no tratamento de pacientes diz respeito ao fato de o acesso à informação estar facilitado para todos. Isso pode gerar uma sensação de que as pessoas são experts em assuntos relacionados à saúde na busca de tratamento pelas redes. “Apesar de muito do que há na internet não ter respaldo científico, existe também conteúdo disponível de origem confiável. O problema é que o discernimento entre o conteúdo de qualidade ou não e, principalmente, se aquele conteúdo se aplica à situação do paciente é subestimado pelo público, gerando uma falsa sensação de total conhecimento sob sua condição de saúde. Nesse contexto, o médico muitas vezes é visto como mero ‘controle de qualidade’ do autodiagnóstico e com papel secundário no acompanhamento dos pacientes. Essa percepção equivocada pode levar a sérios problemas de saúde, principalmente quando ocorrer em grande escala. Além disso, o médico também deixa de ser uma figura de respeito e é considerado com contínua desconfiança por parte do paciente, que passa também a ser um constante questionador da atitude médica, o que dificulta uma postura empática pelo profissional de saúde”, enfatiza.

O médico afirma que não há como interferir no acesso a essas informações. Por isso, ele diz que é importante estar atualizado continuamente do que é divulgado na mídia e nos sites para poder argumentar com os pacientes ‘convictos e antenados’. “Devemos discutir de maneira coerente e embasada o porquê das desconfianças dessas novidades ou, até mesmo, estar aberto e disposto a aprender com os pacientes, nos comprometendo a estudar sobre o assunto e dar um feedback posterior sobre nossa opinião embasada em nossa formação e experiência”, salienta.
 
Além da veracidade ou não do que é encontrado na internet, as redes sociais trouxeram outro problema para dentro dos consultórios dermatológicos. Na cultura digital, existe uma falsa noção de que ser perfeito está ao alcance de todos. Além dos filtros que mascaram fotos reais, inúmeros procedimentos estéticos são anunciados por não médicos como a solução para a aparência dos sonhos.

“A questão estética, nessa nova realidade, vem como catalisador de uma frustração em massa e uma sociedade baseada em truques para só mostrar o melhor ângulo. Uma tendência desenfreada de busca por rosto e corpo perfeitos em uma competição subliminar de quem ficará mais parecido com seus ídolos, resumindo a importância da pessoa à aparência. Uma legião de pessoas saudáveis buscando médicos, dentistas, esteticistas ou quem quer que as possa ajudar a chegar mais perto desse objetivo”, enfatiza.

Nesses casos, Dantas reforça a postura que dermatologistas devem ter com pacientes que chegam com opinião formada sobre a realização desses procedimentos. “Acredito que temos sempre que agir com cautela, ética e firmeza. Modismos, por sua própria definição, têm caráter efêmero, e isso tem que ser ratificado com os pacientes. Nada vai ser melhor do que o tempo e a história para consolidar técnicas e procedimentos. A busca infindável pelo mais atual e moderno, pelo tratamento recém-lançado, sempre vai haver, e cabe a nós agir com parcimônia e não nos deixar levar exclusivamente pela indústria e pelos desejos dos pacientes. Vale ressaltar que, por se tratar de procedimentos invasivos, podem ocorrer complicações e que, porque conhecemos outros aspectos patológicos e fisiológicos da pele, estamos mais aptos a preveni-las e tratá-las. Devemos aderir ao novo quando houver embasamento científico, regulamentação, treinamento adequado e segurança para fazê-lo”, reforça.
 

 

 


6 de agosto de 2019 0

JSBD – Ano 23 – N.03 – 04

O atendimento humanizado e direcionado para cada paciente é um dos principais valores defendidos pela medicina. Isso envolve todo tipo de paciente, incluindo os transgêneros – pessoas com as mesmas necessidades básicas de saúde de quaisquer outras, mas que experimentam muitas disparidades de cuidados, exigindo competências adicionais do profissional, sensibilidade e formação dedicada. Mesmo com avanços em ações e políticas públicas, as desigualdades são amplificadas pelo fato de que muitos pacientes relutam em interagir com o sistema de saúde devido ao preconceito e a discriminação com base na identidade e expressão de gênero, orientação e comportamentos sexuais. Tal fato também se manifesta em vários espaços da sociedade contemporânea.
 
Na Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), as discussões sobre essa realidade estão cada vez mais em pauta, e a temática LGBT tem sido divulgada em seus encontros científicos. Um exemplo é a mesa de debate Saúde LGBT, do DermatoRio 2019, que abordará as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) na população LGBT, bem como os aspectos dermatológicos em pacientes transgêneros. Um dos participantes é o dermatologista Felipe Aguinaga, do Ambulatório de Dermatologia e Diversidade de Gênero, do Instituto de Dermatologia Professor Rubem David Azulay. Na palestra “Aspectos dermatológicos no paciente transgênero”, o médico levantará importantes questões para melhora na qualidade do atendimento ao paciente trans, como as complicações da hormonioterapia em homens e mulheres desse segmento, complicações relacionadas ao uso de binders e silicone industrial, dermatoses das neogenitálias, entre outros assuntos.
 
Ele comenta o atual preparo do dermatologista quanto aos cuidados de afirmação de gênero, seja por meio de medicina e procedimentos relacionados à transição ou pelo gerenciamento de complicações da terapia de afirmação hormonal:
 
“Nós, como dermatologistas, temos em nosso arsenal diversas ferramentas para auxiliar a comunidade transgênero em seu processo de transição. Procedimentos estéticos para feminização ou masculinização da face e do corpo, procedimentos para remoção ou crescimento de pelos, tratamento de cicatrizes cirúrgicas, manejo da acne, da alopecia e de outras complicações da hormonioterapia. O campo de atuação é amplo, e o dermatologista já está habituado a lidar com a maioria dessas questões no seu dia a dia. Temos, portanto, muito a oferecer à comunidade trans em sua busca por autoestima, qualidade de vida e saúde. O processo de afirmação de gênero tem inúmeras interseções com a pele, e nosso papel como especialistas na prestação desses serviços essenciais para essa população deve ser afirmado, divulgado e exercido com excelência”.
 
No entanto, ainda são muitos os problemas para alcançar esse alto nível esperado no atendimento do público trans, como encontrar com mais frequência literatura ampla sobre o assunto. “Os dermatologistas, em especial, têm uma perspectiva única e especial em relação às necessidades da população LGBT, tanto do ponto de vista clínico quanto estético. Conhecer seus aspectos dermatológicos específicos é essencial para prover uma assistência de qualidade. A literatura científica relacionada às questões dermatológicas desse grupo, porém, ainda é escassa, embora o número de publicações sobre o tema tenha aumentado nos últimos anos”, comenta.
 
Segundo Aguinaga, a maior parte dos artigos disponíveis sobre o assunto refere-se ao uso de preenchedores ilícitos e infecções sexualmente transmissíveis. “Mas os aspectos da saúde influenciados pela orientação sexual e pela identidade de gênero em que o dermatologista pode atuar são muito mais abrangentes”, salienta.

Medo de julgamento e discriminação impactam a morbimortalidade da população
O medo de ser julgado, a vergonha e a discriminação por identidade de gênero ou orientação sexual fazem com que esses pacientes evitem buscar assistência médica, o que impacta negativamente na sua saúde. De acordo com Aguinaga, pesquisas apontam que dois terços dos pacientes LGBT referem já ter sido vítimas de homofobia ou transfobia em serviços de saúde.
 
“A relutância em buscar assistência médica por esses motivos são algumas das várias barreiras que essas pessoas enfrentam e que impacta negativamente a morbimortalidade dessa população. É essencial a promoção de iniciativas educacionais para que os profissionais de saúde sejam capacitados e sintam-se preparados para lidar com esses pacientes e para fornecer a melhor assistência possível”, realça. Dessa forma, o dermatologista está mais bem preparado para atendê-los quando cria um ambiente em que o paciente se sinta bem-vindo e acolhido.
 
“Uma das grandes barreiras enfrentadas pela população LGBT é a dificuldade de encontrar médicos capacitados para lidar com suas questões particulares e sensíveis a suas demandas. Muitos pacientes resistem em procurar assistência médica por conta de experiências prévias insatisfatórias. Esse não é um assunto abordado na formação da maioria dos médicos; por isso é necessário um esforço extra para buscar esse conhecimento e manter-se atualizado. Felizmente, tem aumentado a disponibilidade dessas oportunidades educacionais, incluindo palestras sobre saúde LGBT nos congressos de dermatologia e artigos científicos nas principais revistas científicas dermatológicas”, ressalta.

Uma medicina que dialoga com a população sem distinção
Para viabilizar a excelência no atendimento dermatológico desses indivíduos, é fundamental que o profissional saiba que a orientação sexual, a identidade de gênero e os comportamentos sexuais são conceitos diferentes.
 
“É preciso ter sensibilidade na hora de colher essas informações, já que são muitas vezes clinicamente relevantes. Algumas recomendações simples têm amplo impacto na melhora da relação com esses pacientes: respeito ao nome social, usar pronomes corretos, utilizar formulários que sejam inclusivos e ofereçam opções de identidade de gênero não binárias. É fundamental tratar todos os pacientes com dignidade e respeito”, destaca.
 
Sobre a influência das interseções de gênero, raça, etnia, status socioeconômico nas disparidades de saúde das populações LGBT, Aguinaga comenta que a população LGBT é heterogênea, composta por indivíduos com identidades diversas e únicas. Logo, ao lidar com o paciente, o médico deve reconhecer suas experiências vividas, sem pré-julgamentos.
 
“Somente com uma abordagem interseccional de todas essas variáveis (identidade de gênero, raça, orientação sexual, status socioeconômico) são reconhecidos determinantes sociais de saúde, permitindo, assim, otimizar a assistência aos pacientes que atendemos”.

DermatoRio contemplará palestras sobre saúde LGBT
Segundo o médico, que ministrará a aula “Aspectos dermatológicos no paciente transgênero” a ser realizada na manhã do dia 13 de setembro, no DermatoRio 2019, o objetivo da apresentação é identificar e esclarecer conceitos e definições do campo de gênero e sexualidade, bem como a terminologia atualmente utilizada na literatura científica, além de abordar identidade de gênero como um determinante social de saúde.  
 
“Também vamos orientar sobre aspectos gerais na consulta do paciente trans e expor as principais questões enfrentadas pela população transgênero na esfera da dermatologia clínica: complicações da hormonioterapia em homens e mulheres desse segmento, complicações relacionadas ao uso de binders e de silicone industrial, dermatoses das neogenitálias, entre outros. Além disso, iremos compartilhar nossa experiência no Ambulatório de Dermatologia e Diversidade de Gênero, do Instituto de Dermatologia Professor Rubem David Azulay, no Rio de Janeiro”, informa.

 


18 de junho de 2019 0

JSBD – Ano 23 – N.02 – MARÇO-ABRIL

O cantor Paulo Ricardo; a modelo Luiza Brunet; as atrizes Cris Vianna e Alexandra Richter; e a jornalista Marina Caruso. Essas são algumas das personalidades que participam de campanha da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância de fazer procedimentos estéticos com dermatologistas.

Assista aos vídeos gravados pelas personalidades

Em mensagens de vídeo, que começam a circular em canais de redes sociais nesta semana, essas personalidades informam sobre os riscos de fazer tratamentos com pessoas não habilitadas e asseguram que o sucesso dos cuidados passa pela escolha de profissionais preparados.

Invasivos – O alerta da SBD surge de uma constatação: está cada vez mais frequente a realização de procedimentos estéticos invasivos por profissionais não habilitados, aumentando os riscos de erros que podem ser irreversíveis. Queimaduras e deformações no rosto e no corpo são exemplos de efeitos adversos enfrentados por pacientes que foram atendidas inicialmente por pessoas sem formação e depois recorrem a dermatologistas na espera de reverter os quadros.

Assim, profissionais não habilitados, clínicas clandestinas e desinformação formam o caldo ideal que traz dores de cabeça para quem quer ser bonito a qualquer custo. “A cosmiatria deve ser realizada por médico especializado, como o dermatologista, o qual está habilitado para isso e preparado para tratar também eventuais complicações que possam ocorrer. Aquele que pretende fazer um tratamento estético não deve se colocar sob os cuidados de não médicos ou mesmo de médicos que não possuem a formação adequada”, explica o presidente da SBD, Sérgio Palma.

Todos os contribuíram com a campanha participaram do Seminário Cosmiatria e Laser: beleza à luz da medicina, organizado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), em parceria com o jornal O Globo. A presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Carmita Abdo, que também gravou uma mensagem, lembrou, aliás, que o dermatologista ajudará a entender a real necessidade dos procedimentos a partir da avaliação do paciente.

“Muitas vezes, uma lesão de pele tem origem interna, e isso é o dermatologista que identificará. Outras vezes, o procedimento que a pessoa deseja fazer é descabido, e é o médico dermatologista que explicará o melhor caminho a seguir. É preciso ter cuidado com os procedimentos estéticos, pois, por menos invasivos que pareçam, poderão trazer consequências sérias e irreversíveis”, ponderou.

Ato Médico – Segundo a SBD, a Lei do Ato Médico reserva aos profissionais da medicina a realização de procedimentos chamados de estéticos ou cosmiátricos considerados invasivos. Isso vale para serviços como aplicações de toxina botulínica e outras substâncias, criolipólise e preenchimentos. O entendimento legal se baseia na compreensão de que esses atendimentos exigem conhecimento mais profundo do organismo humano, o que garante a segurança do paciente.

“Cabe ao especialista definir as quantidades das substâncias a ser aplicadas, considerando aspectos como a harmonia do rosto ou do corpo e possíveis reações adversas que podem decorrer do seu uso. Considerando-se que, mesmo se todos os cálculos forem corretos, a paciente ainda pode sofrer uma reação (mais ou menos grave), o dermatologista está preparado para uma intervenção imediata de emergência para garantir a vida e a integridade de quem ele trata. A ação de não médicos deve ser combatida pelas autoridades, pois traz insegurança a pacientes e seus familiares”, afirmou o Sérgio Palma.

Integridade – Os problemas decorrentes de procedimentos feitos por não especialistas e não médicos levaram a SBD a pedir ajuda ao Ministério Público Federal. Recentemente, a entidade protocolou no MPF documento no qual solicita providências sobre o assunto. Segundo Sérgio Palma, entre 2017 e 2019, a Sociedade realizou mais de 800 denúncias de prática irregular na realização de procedimentos estéticos aos Ministérios Públicos estaduais, às Vigilâncias Sanitárias de estados e municípios, e aos conselhos de classe de profissionais da saúde não médicos.

Em 2017, foram protocoladas 351 denúncias; em 2018, outras 371; e 111, até abril de 2019. No período, os destaques em termos de quantidade de ações recaíram sobre os seguintes estados: São Paulo, com 199 denúncias; Minas Gerais, com 94; Rio de Janeiro, com 88; Santa Catarina, com 85; Paraná, com 55; Rio Grande do Sul, com 51; Espírito Santo, com 48; Goiás, com 45; e Bahia, com 28. Os processos têm sido montados com base em informações de pacientes, médicos e até notícias veiculadas pela imprensa apontando situações de abuso.

O presidente da SBD, Sérgio Palma, espera que essa ação provoque uma tomada de posição efetiva dos Ministérios Públicos em que tramitam as representações. “Essa é uma situação que deve ser coibida por dois motivos. Em primeiro lugar, a realização desse tipo de procedimento por não médico é vetada em lei. Então, falamos de um ato ilegal que deve ser coibido pelas autoridades. Por outro lado, e ainda mais grave, é a situação de risco aos quais milhares de pessoas estão sendo expostas cotidianamente. Não são poucos os casos de sequelas e doenças causados por erros cometidos por essas pessoas. Em algumas situações, até mortes já foram registradas”, argumentou.

Leia mais sobre o assunto:

https://www.sbd.org.br/noticias/dermatologistas-apelam-ao-ministerio-publico-contra-atos-praticados-por-nao-medicos-na-area-da-estetica/

https://www.sbd.org.br/noticias/tratamento-estetico-com-nao-medico-coloca-integridade-de-paciente-em-risco-alerta-sbd/

https://www.sbd.org.br/noticias/celebridades-destacam-importancia-do-dermatologista-para-quem-pensa-em-fazer-procedimentos-esteticos/


18 de junho de 2019 0

JSBD – Ano 23 – N.02 – MARÇO-ABRIL

A humanização da relação médico/paciente tem sido cada vez mais abordada dentro da medicina como forma de melhorar a resposta ao tratamento prescrito. Porém, infelizmente, nem sempre os especialistas estão preparados para dar essa atenção.
 
Médicos, terapeutas corporais e cuidadores em geral precisam estar sincronicamente conectados com aquele de quem cuidam. E, para isso, é preciso mais do que os conhecimentos técnicos e científicos. É necessário, de fato, estar disposto a se aprofundar não apenas no outro, mas em seu autoconhecimento, dedicando parte do tempo a práticas que permitam o enfrentamento de medos, dificuldades e frustrações.
 
O não cuidado consigo e o negligenciamento com a própria saúde, seja física ou mental, acaba, consequentemente, gerando um atendimento de baixa qualidade, que não valoriza as questões pessoais e as necessidades do paciente. “Quem está sendo atendido capta, com toda certeza, pela postura, pela voz, pelo jeito da pessoa olhar, que aquele médico não está bem”, pontua Marcia Senra, coordenadora do Departamento de Psicodermatologia da Sociedade Brasileira de Dermatologia. E ao perceber isso, a confiança no especialista e o resultado do tratamento passado podem não ser os esperados.
 
Para Senra, a saúde e o bem-estar do médico são de suma importância para o sucesso do tratamento com o paciente. Ela explica que, quando uma pessoa não está bem fisicamente ou com qualquer problema emocional, é difícil olhar para o outro. “É impossível estar ali, olhando para o outro com total foco e tranquilidade para colocar toda a atenção na queixa do paciente. Precisamos ouvir, olhar e examinar com muita paciência. Então, paralelamente, o especialista também tem que se cuidar”, diz.
 
A forma como cada um vai procurar o próprio bem-estar depende de si mesmo. Além dos hábitos já tão falados, como ter uma boa alimentação, praticar exercícios e fazer o que gosta – inclusive hobbies -, há no campo das terapias inúmeras opções, como meditações, terapias reichianas, constelações familiares, massoterapia, entre outras opções. Na massoterapia, por exemplo, o toque é usado para inúmeras finalidades, como terapia antiestresse, para relaxamento, na parte estética e esportiva, para melhorar as articulações etc. “O tocar é uma linguagem, uma comunicação que cria o relacionamento humano. A gente sabe que a pele, o sistema nervoso, vem do mesmo folheto embrionário. Então, a atitude do tocar induz a várias alterações neuronais, glandulares, musculares. São muitas as vantagens dessa prática para o autocuidado. Cada pessoa se adapta a um tipo e tem uma necessidade”, explica.
 
Mas há também quem não goste de ser tocado, que sinta uma sensação desagradável, uma intimidade que gera mal-estar. Para essas pessoas, a massoterapia talvez não seja a mais indicada. Por isso, Marcia diz que cada um deve buscar o seu próprio caminho, desde que o faça com o coração aberto e com a disposição de mergulhar fundo. E vai além: “A rotina médica é altamente demandante. Além dos aspectos da própria profissão, há, ainda, as pressões do dia a dia. A maneira como cada um vai lidar com os estressores faz muita diferença. Por isso, investir no autoconhecimento e não se comparar com outros profissionais é fundamental. É preciso ajustar a sua personalidade ao que quer na sua vida e fazer escolhas. Porque se não prestar atenção nessa carga, com certeza vai adoecer”, enfatiza a coordenadora da SBD.

 

 

 


11 de março de 2019 0

JSBD – Ano 23 – N.01 – JANEIRO-FEVEREIRO

A SBD lança a nova etapa da campanha de valorização do médico dermatologista que tem a marca “Sua pele sua vida: um alerta da Sociedade Brasileira de Dermatologia”. O objetivo da iniciativa é buscar engajar o público leigo e a própria classe médica no reconhecimento do papel do médico dermatologista no diagnóstico, prevenção e tratamento de doenças da pele, cabelos e unhas, incluindo procedimentos estéticos médicos e invasivos.

Assista ao novos vídeo protagonizado pela atriz Maria Clara Gueiros e publicado em março nos canais de comunicação da SBD:

 

 


27 de fevereiro de 2019 0

JSBD – Ano 23 – N.01 – JANEIRO-FEVEREIRO

Diante de um mundo em que o tempo parece estar cada vez mais acelerado, aliado ao uso massivo das tecnologias digitais, é preciso saber a hora de parar, respirar e depois continuar. Algumas estratégias podem melhorar a qualidade de vida do indivíduo, ajudar a prevenir situações de adoecimento e reduzir os casos de esgotamento mental. A técnica do Mindfulness é uma delas.

“Ao contrário do que muitos pensam, o Mindfulness não é, em sua essência, um novo tipo de meditação ou um conjunto de técnicas meditativas modernas. É antes uma proposta de experimentar a vida de forma diferente daquela com a qual muitas vezes nos acostumamos. A proposta e o desafio são o exercício de uma ‘atenção mais plena’ em tudo que fazemos, desde a forma como nos alimentamos ou cuidamos da nossa saúde até como aproveitamos nosso tempo de lazer ou nos relacionamos. É sair de um automatismo para uma maior consciência, e para isso, sim, podemos usar algumas técnicas específicas”, explica o médico psiquiatra Tiago Queiroz Cardoso*.

A atenção plena, portanto, consiste em focar no presente, evitando pensar nas possibilidades futuras. No entanto, para que isso aconteça, é preciso observar muito, bem como estar aberto para vivenciar o momento. “A atenção plena não deve ser encarada como um estado mágico ou um ponto de chegada, é muito mais um novo caminho, uma nova direção, no qual vamos aos poucos deixando de lado hábitos automáticos e cada vez nos tornamos mais ‘presentes’”, orientou o médico.

Segundo o especialista, existem práticas específicas de Mindfulness para diferentes condições, como a depressão, a ansiedade ou as doenças crônicas. Os dois programas mais conhecidos são o MBSR (Mindfulness-based stress reduction), desenvolvido no final da década de 1970 pelo médico Jon Kabat-Zinn, considerado o percussor do Mindfulness; e o MBCT (Mindfulness-Based Cognitive Therapy), criado na década de 1990, com a proposta de associar técnicas do Mindfulness e da Terapia Cognitiva Comportamental.

“O primeiro possui estudos mostrando sua eficácia na redução do estresse e ansiedade, incluído o burnout; e o MBCT demonstrou também eficácia significativa na depressão”, esclarece.

Os benefícios da prática são inúmeros a cada estudo publicado, sendo a redução do estresse um dos mais importantes. A aplicação da técnica de Atenção Plena na Medicina, direcionada ao médico, também ajuda o profissional a lidar melhor com o estresse de trabalho e ter mais qualidade de vida.

“Hoje nós sabemos como o estresse está relacionado à cascata de inflamação no organismo, processo envolvido não só na depressão e ansiedade, como em doenças cardiovasculares, autoimunes e tantas outras. A maior dificuldade é essa, a baixa percepção de risco do estresse pelas pessoas, e isso inclui nós, médicos. Às vezes não estamos atentos ao nosso estresse e nem ao dos nossos pacientes, e isso faz com que não seja uma prioridade, até que acabe se tornando uma doença. Precisamos mudar o paradigma de uma medicina de tratamento para uma medicina de prevenção, a começar por nós mesmos”, relata.

O curso-padrão tem duração de oito semanas. Durante esse tempo são praticadas diferentes técnicas de Mindfulness com o apoio de um especialista. Após aprender a realizar as atividades, é possível praticar em casa e no ambiente de trabalho, incluindo ações curtas diariamente. Elas podem ser feitas no tempo de três a cinco minutos, em qualquer lugar: no carro, no consultório, à mesa de refeição ou ao deitar-se para dormir. São conhecidas como práticas não formais.

“Diria que esse tipo de prática é tão ou mais impactante no nosso dia a dia, quando estamos acostumados a fazer tudo no automático. Como eu disse, a proposta não é um ponto de chegada, mas estar cada vez mais conscientes de que precisamos cuidar da nossa mente, reduzir o ritmo, diminuir o estresse e a sobrecarga de múltiplos estímulos no nosso cérebro”, completa Tiago Queiroz.
 

Você sabia?
Pensar nas possibilidades futuras e antecipar as consequências envolvem o córtex pré-frontal, que é a região mais desenvolvida do cérebro, e a amígdala, nosso cérebro primata, que controla comportamento e instinto.

“Fear of missing out” (“medo de ficar de fora”) é um distúrbio que aumenta a ansiedade e atrapalha o sono.

Síndrome do pensamento acelerado (SPA) ocorre quando você vai dormir, mas não consegue, porque a cabeça dispara.

Dados da OMS revelam que 9,3% da população brasileira sofre de transtorno de ansiedade, quase o triplo da média internacional (3,5%).                                  ´           ´

Experimente alguns exemplos simples de Mindfulness para exercitar essa atenção plena.

  • Tomar um banho com a mão não dominante.
  • Descansar os talheres na mesa a cada “garfada”.
  • Fazer três respirações profundas antes de checar o celular. Aliás, precisamos realmente checá-lo mais de uma vez?

 

* Tiago Queiroz Cardoso é médico psiquiatra, mestre e doutorando em Neuropsiquiatria, preceptor do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e do Hospital Ulisses Pernambucano – Universidade de Pernambuco (UPE).


27 de fevereiro de 2019 0

JSBD – Ano 23 – N.01 – JANEIRO-FEVEREIRO

Lei Federal 12.135/2009 instituiu como Dia Nacional de Combate e Prevenção da Hanseníase o último domingo de janeiro. Neste ano, a comemoração foi no dia 27

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) com o apoio das Regionais, realizou a Campanha Nacional de Combate à Hanseníase no início do ano. Desde 2016, o Ministério da Saúde oficializou o mês de janeiro e a cor roxa para a realização de atividades educativas. No período, as pessoas puderam se informar ainda mais sobre os sintomas e sinais da doença e quanto à importância do diagnóstico precoce. A Comunicação da SBD teve participação essencial no desenvolvimento da campanha, com divulgações nas redes sociais e site, além de entrevistas concedidas à imprensa. A reportagem do JSBD e a assessoria de imprensa da SBD, no Rio de Janeiro, receberam informes de outros estados, com ações locais, bem como acompanharam algumas atividades.

No site da SBD, estão publicadas informações sobre a doença e matérias veiculadas em canais de comunicação para o esclarecimento do público leigo. Um balanço geral das atividades mostrou que a partir do release da SBD para a imprensa, foram originados oito artigos em jornais e revistas impressas e 11 entrevistas em rádio e TV. A produção de matéria para a Radio Web, por exemplo, gerou entrevista que foi replicada em 376 rádios (171 comerciais, 177 comunitárias e 28 educativas em 304 cidades com alcance de 55.112.548 pessoas).

Além disso, a SBD produziu vídeo de esclarecimento, com divulgação em cinemas brasileiros, como também no site e na FanPage no Facebook. As peças publicadas alcançaram cerca de 10 mil pessoas. A intenção foi fazer chegar a informação de forma mais intensa possível, com a inclusão do tema nesses espaços online, e integrada aos demais veículos de comunicação oficiais da SBD.

A dermatologista Sandra Durães, coordenadora do Departamento de Hanseníase da SBD, enfatiza que “a força da campanha anual, sempre com muita inserção na mídia, de uma forma geral, permite maior alcance e reflexão crítica da população brasileira”.

Segundo a médica, ainda há muitos desafios para o controle da doença, como, por exemplo, a vigilância de contatos, a inclusão de novos medicamentos no arsenal terapêutico (tanto específico como para o tratamento das reações) e o desenvolvimento de testes laboratoriais preditivos de adoecimento, de reações hansênicas e para o diagnóstico precoce.

Com relação ao tratamento ideal para a hanseníase, Sandra Durães e demais membros do Departamento, composto pelos dermatologistas Gerson Oliveira Penna, Maurício Lisboa Nobre e Lucia Diniz, mencionam a necessidade de um esquema de curta duração, capaz de reunir medicações bactericidas. “A questão não é somente a resistência bacteriana, pois essa ainda parece ser incipiente, mas precisamos de novos medicamentos”, frisam.>

No caso do diagnóstico clínico, ele é feito na maior parte dos casos e ao longo das últimas décadas, cada vez de forma mais precoce, na rede de atenção primária à saúde.

“Isso foi possível pelo comprometimento e participação de dermatologistas na capacitação das equipes de atenção básica. O paciente precisa ter acesso não apenas à antibioticoterapia e às orientações para prevenção de incapacidades, mas também, sempre que necessitar, ao atendimento especializado por neurologistas, neurocirurgiões, ortopedistas e psicólogos. Além disso, laboratórios para baciloscopia e uma rede adequada de referência e contrarreferência para casos de difícil manejo são essenciais para o atendimento integral do paciente”, consideram.

Mais dados sobre a campanha

  • Iluminação de monumentos, como o Palácio do Buriti e o Palácio do Planalto (em Brasília), Arcos da Lapa, Monumento aos Pracinhas e Cristo Redentor (no Rio de Janeiro).
  • Produção de vídeo de esclarecimento do paciente Canário nos cinemas (Espaço Itaú de Cinema e Cinemark no Rio de Janeiro; Complexo Aricanduva em São Paulo; Barrashopping Sul em Porto Alegre; Salvador Shopping em Salvador; Goiabeiras Shopping em Cuiabá; Capim Dourado em Palmas).
  • Pílulas de publicidade na Bandnews FM, 99 FM de Belém, Gazeta FM de Cuiabá, Mirante AM de São Luiz, Jovem Palmas FM de Palmas e Meio Norte FM de Teresina.

 

Camara Municipal

Cristo Redentor

Palácio da Alvorada

 





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