Em sua 43ª edição, Dermatrop reforça discussões sobre doenças negligenciadas e reafirma compromisso social da SBD




2 de abril de 2021 0

Nos dias 21 e 22 de maio, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) promove a 43ª edição do tradicional Simpósio sobre Dermatologia Tropical (Dermatrop). O encontro será online e buscará abordar a essência da dermatologia clínica. Até o próximo dia 10 de abril, os valores com desconto para participar variam de R$ 120 a R$ 210. Para se inscrever e obter mais detalhes sobre a programação, acesse o site do evento.

ACESSE PARA OBTER MAIS INFORMAÇÕES SOBRE O DERMATROP

Sinésio Talhari, coordenador do encontro, ao lado de lideranças da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Mauro Enokihara (presidente – Gestão 2021-2022), Heitor de Sá Gonçalves (vice-presidente – Gestão 2021-2022) e Sérgio Palma (ex-presidente – Gestão 2019-2020) – exalta a importância do evento e aponta as mudanças pelas quais ele passou ao longo dos anos. Segundo ele, os resultados alcançados podem, inclusive, levar à incorporação de temas às mudanças climáticas em eventos futuros.

“Quando idealizamos este curso, há 45 anos, em Manaus, pensamos em dois pilares: atualização dos dermatologistas em doenças tropicais e aspectos básicos dessas enfermidades para os médicos generalistas. Ao longo dos anos, incluímos temas voltados às doenças associadas às mudanças climáticas e outras de causa infecciosa. Porém, o público-alvo é mantido até hoje, já que os profissionais que atuam em centros de saúde e hospitais são os que primeiro atendem a esses pacientes. E eles são fundamentais no acompanhamento dos enfermos, muitas vezes, a longo prazo”, afirmou.

Doenças negligenciadas – Com a presença de importantes especialistas da área, o evento promoverá debates sobre as doenças infecciosas e de caráter endêmico, como a hanseníase, leishmaniose, tuberculose e ISTs e aids. Parte desses transtornos está no grupo das denominadas doenças negligenciadas, que ainda afetam grande número de pessoas no país e carecem de políticas públicas que estimulem ações de prevenção, diagnóstico e tratamento. Ao colocar esses temas em perspectiva, por meio do Dermatrop, a SBD reafirma seu compromisso social, bem como dos dermatologistas, com a assistência de qualidade em saúde.

“Os temas que vamos debater são de extrema importância, pois abordam doenças que são abandonadas, ou mesmo esquecidas, pelos órgãos de saúde. Neste momento, em meio a uma crise sanitária e epidemiológica de grandes proporções, a preocupação da SBD com essas questões é ainda maior, pois sabemos das implicações que estão ao redor. Por exemplo, há relatos de falta de medicamentos para o tratamento de várias doenças. Faz parte de nossa missão monitorar esses quadros e cobrar respostas dos responsáveis em apoio aos pacientes e aos médicos”, esclarece Mauro Enokihara.


2 de abril de 2021 0

Com a palavra


Por Felipe Aguinaga
Coordenador do Departamento de IST & AIDS da SBD Nacional e da SBD-RJ e chefe do ambulatório de Dermatologia e Diversidade de Gênero, do Instituto de Dermatologia Professor Rubem David Azulay (RJ)

Segundo estudo publicado na revista Nature, em janeiro de 2021, estima-se que 1,9% da população brasileira (quase 3 milhões de pessoas) se identificam como transgênero ou não binário. Indivíduos transgênero são aqueles que não se identificam com o sexo atribuído ao nascimento, e, podem, por meio de modificações corporais (hormonioterapia, procedimentos estéticos, cirurgia de redesignação sexual), buscar exercer sua identidade de gênero de acordo com seu bem-estar biopsicossocial.

Os pacientes transgêneros compartilham muitas das mesmas necessidades de saúde da população em geral, mas possuem também demandas e características específicas. No entanto, as evidências sugerem que pessoas trans enfrentam uma carga desproporcionalmente alta de doenças, especialmente nos âmbitos da saúde mental, sexual e reprodutiva. A exposição à violência e discriminação também são maiores nesta população. Além disso, enfrentam barreiras ao acesso a cuidados e recursos determinantes da saúde, como educação, emprego e habitação. Essas barreiras são em grande parte atribuíveis à privação legal, econômica e social, e à marginalização e estigmatização que enfrentam na sociedade em geral.

Há um compromisso crescente de todas as áreas da Medicina para compreender e melhorar a saúde e o bem-estar das pessoas trans e outras minorias de gênero, e a Dermatologia, em seus diversos campos de atuação, desponta como uma especialidade essencial para atender a várias dessas demandas.

O primeiro passo médico no processo de transição para muitos indivíduos trans é a hormonioterapia, que tem efeitos significativos na pele e nos cabelos. Mulheres trans (male-to-female), que geralmente usam estradiol em combinação com um antiandrogênico (espironolactona ou um inibidor da 5-alfa redutase), apresentam redução rápida e persistente na produção de sebo e podem desenvolver xerodermia, prurido e alterações eczematosas. Os estrógenos também levam a uma redução na quantidade e densidade dos pelos faciais e corporais, que geralmente é um efeito desejado, porém insuficiente. A remoção de pelos a laser é um dos procedimentos mais procurados por essa população. Já entre os homens trans (female-to-male), que geralmente usam testosterona, são frequentes os quadros de alopecia androgenética e de acne. A necessidade de contracepção para prescrição de isotretinoína, bem como o preenchimento de termos de consentimento separados por sexo, impõe conflitos e peculiaridades no tratamento dessa patologia nesses pacientes.

Além da hormonioterapia, alguns indivíduos são submetidos a procedimentos cirúrgicos de afirmação de gênero. A busca por tratamento de cicatrizes inestéticas resultantes desses procedimentos, especialmente após mastectomia em homens trans, tem-se tornado cada vez mais frequente. Mulheres trans que se submetem à vaginoplastia podem necessitar de depilação pré-operatória do local doador. Além disso, diversas condições dermatológicas já foram relatadas em neogenitálias.

Um papel emergente dos dermatologistas na transformação física de pacientes transgêneros são os procedimentos estéticos minimamente invasivos. O uso da toxina botulínica e de preenchedores pode dar uma aparência mais masculina ou feminina à face. Infelizmente, devido a inúmeras razões, incluindo alto custo e acesso limitado, muitas mulheres trans buscam tratamentos ilícitos com pessoal não médico, especialmente o uso de silicone líquido industrial. Portanto, os dermatologistas também devem estar preparados para lidar com essas complicações. O cuidado dermatológico de indivíduos transgêneros não se limita apenas aos aspectos da transição. Mulheres trans, por exemplo, têm maior incidência de infecções sexualmente transmissíveis e de HIV, que se apresentam com manifestações dermatológicas.

Embora tenha sido feito algum progresso para promover a igualdade de assistência de saúde para a população transgênero, alguns desafios ainda se impõem. Em primeiro lugar, existem lacunas nas evidências sobre os determinantes e os indicadores de saúde das pessoas trans. Em segundo lugar, cuidados de saúde específicos para transgêneros devem ser mais bem compreendidos e as barreiras ao acesso devem ser reduzidas. Por fim, os mecanismos de exclusão social, bem como todas as formas de discriminação, devem ser considerados na determinação social de sofrimento e de doença e combatidos em todas as esferas da assistência à saúde.

Em conclusão, os dermatologistas devem desempenhar um papel crescente nos aspectos médicos e estéticos dos cuidados com pacientes transgêneros. A Dermatologia, ao longo de sua história, sempre voltou seu olhar e sua atuação para populações estigmatizadas e marginalizadas, sendo sensível às questões relacionadas à autoestima e identidade. Portanto, os dermatologistas são capacitados e possuem, em seu arsenal profissional, ferramentas e conhecimento que podem contribuir para amenizar as disparidades de saúde e melhorar a qualidade de vida dos pacientes transgêneros.

 


31 de março de 2021 0

Atualização científica

Nos últimos anos, ter uma dieta baseada em alimentos sem lactose, glúten e açúcar se tornou algo bastante comum entre as pessoas. Considerados vilões por muitos que se apresentam como ‘gurus’ de emagrecimento, esses alimentos, quando nas doses corretas, são de grande importância dentro de uma alimentação equilibrada. Mas enquanto alguns os retiram de suas rotinas de forma equivocada, há pessoas que realmente precisam ficar longe dos alimentos desses grupos por apresentarem intolerância ou alergia.

“Muitos alimentos podem causar esse tipo de reação, entre eles: amendoim, castanhas, nozes, soja, frutos do mar, pimenta, leite de vaca e ovos. Há, ainda, os corantes e aditivos alimentares, que muitas vezes não aparecem como componentes principais de alguns produtos, especialmente os industrializados”, salienta Renan Bonamigo, que coordena o Departamento de Alergia Dermatológica e Dermatoses Ocupacionais conjunto com as dermatologistas Rosana Lazzarini e Vanessa Barreto Rocha.
 
Embora cada vez mais pacientes procurem dermatologistas para ajudar em quadros de alergia alimentar, não existem números oficiais no Brasil sobre essa doença e o quanto ela atinge a população do País – pelo menos não até 2019, quando aconteceu a Semana Mundial de Alergia, iniciativa da World AllergyOrganization (WAO) e que no Brasil foi organizada pela Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), cujo tema central foi “Alergia Alimentar: Um Problema Global”. Entretanto, estima-se que a condição atinja por volta de 5% da população adulta e 8% das crianças.

Controle além da dermatologia
    
Embora naturalmente os pacientes associem manifestações alérgicas apenas aos cuidados de dermatologistas, o controle de alergias alimentares, muitas vezes, passa por outras especialidades. “Este é um assunto complexo, o qual pode exigir uma interface dos dermatologistas com imunologistas, gastroenterologistas e nutricionistas, muitas vezes”, explica Renan Bonamigo. Ou seja, uma vez descoberta a alergia, é preciso que as especialidades se reúnam para traçar tratamentos e mudanças na rotina alimentar.

As alergias alimentares podem estar relacionadas em dois grandes contextos clínico-dermatológicos: na urticária, que pode ser desencadeada por diversos fatores, incluindo alimentos e, por vezes, podem acontecer reações graves; e na exacerbação da dermatite atópica, quando os antígenos alimentares não são considerados fundamenatais para desenvolvimento desta doença, mas raramente estão relacionados à exacerbação. “Em ambas as situações – urticária e dermatite atópica – se houver forte suspeição clínica de etiologia ou desencadeamento de pioras, são necessários uma anamnese e exame físico cuidadosamente detalhados e uma correta avaliação laboratorial para a confirmação de que um determinado alérgeno possa ser, realmente, um provocador das dermatoses e dos sintomas associados”, avalia Bonamigo. O médico afirma que os principais testes são os de provocação e eliminação, os testes epicutâneos e os exames sanguíneos que avaliam a imunoglubulina E. “Uma vez reconhecida a alergia alimentar como causa de urticária ou exacerbadora de dermatite atópica, torna-se importante a não exposição aos alérgenos”, completa.

Bonamigo ressalta, ainda, que muitas vezes há uma confusão de conceitos e a alergia alimentar é erroneamente diagnosticada em quadros de indisposições alimentares transitórias, intolerâncias alimentares (à lactose, por exemplo), algumas doenças antígenos-específicas (aos derivados do glúten, por exemplo) ou de crises por degranuladores de mediadores (mastocitose, por exemplo).

“Popularmente, também é frequente que outras dermatoses, possuidoras de causas diversas, sejam erroneamente implicadas com a ingesta de alimentos e alergias a eles. A falsa ideia de alergia alimentar pode ocasionar uma restrição alimentar indevida e levar o paciente a deficiências nutricionais (comum em crianças que são privadas de leite ou ovos, por exemplo)”, observa.

Em tempo, vale lembrar que, embora o tratamento muitas vezes precise de intervenção multidisciplinar, o médico dermatologista possui um papel importante no esclarecimento das situações. “Tanto para ajudar a confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento, como para desmistificar relações entre alimentos e erupções cutâneas”, completa o coordenador do Departamento.

 


30 de março de 2021 0

Lesões hipo e amelanóticas, lesões melanocíticas no idoso, tumores benignos, inteligência artificial aplicada à dermatoscopia, são alguns assuntos que serão discutidos no Simpósio de Dermatoscopia Online da SBD, que ocorrerá no dia 24 de abril. O primeiro vencimento da tabela com valores diferenciados vai até o dia 5 de abril. No site do evento você encontra a programação, valores e a lista dos palestrantes que irão participar da atividade.

PARA MAIS INFORMAÇÕES ACESSE O SITE DO ENCONTRO

Realizado no formato 100% digital devido à pandemia de Covid-19, o encontro terá a coordenação das chefes de Departamento de Imagem, as Dras. Bianca Costa Soares de Sá e Juliana Casagrande Tavoloni Braga, da coordenadora Científica da SBD – Profa. Flávia Vasques Bittencourt e do diretor Financeiro da SBD, Prof. Carlos Barcaui.

“Buscamos oferecer uma programação completa, abordando temas que tratem principalmente sobre novidades na área e tópicos que colaborem com a prática nos consultórios. Além disso, vamos priorizar a participação do público, porque acreditamos que as discussões vão enriquecer ainda mais o evento”, detalha Bianca Costa Soares de Sá.

Mapeamento corporal total – Um dos debates do Simpósio abordará o laudo do exame de mapeamento corporal total, que consiste nas documentações fotográfica e dermatoscópica de toda superfície do corpo, além dos sinais ou pintas encontradas, o que possibilita o acompanhamento médico em intervalos regulares.

 “O principal objetivo do mapeamento é auxiliar o médico na hora de decidir pela retirada ou acompanhamento de uma lesão suspeita, facilitando o diagnóstico precoce do câncer da pele, principalmente do melanoma”, afirma Barcaui.

Outro assunto em pauta na programação do evento é a inteligência artificial (IA) aplicada à dermatoscopia. Sobre o tema, Barcaui ressalta que atualmente a IA é considerada importante aliada dos dermatologistas no diagnóstico das neoplasias de pele, por possuir alta capacidade para classificar imagens dermatoscópicas de forma precisa.

 

 

 

 


29 de março de 2021 0

Outros Olhares

O uso de plantas sempre esteve presente na sociedade para tratar e curar males do corpo. Não à toa, alguns desses ingredientes se mantêm até hoje em composições de medicamentos e são prescritos por médicos de diferentes especialidades. A ciência, constantemente, estuda a aplicações de óleos essenciais e vegetais em tratamentos diversos. Isso também ocorre na dermatologia – inclusive, dentre as especialidades médicas, talvez seja a que mais faz uso de fitoterápicos e medicamentos que tenham plantas como um dos componentes.

A seguir, Tatiana Villas Boas Gabbi, a nutróloga e dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), compartilha seus conhecimentos sobre o uso desses produtos na rotina médica dos dermatologistas e como eles podem auxiliar o tratamento de inúmeras doenças de pele.

“Eu não acredito em uma dermatologia que seja exclusivamente feita com produtos naturais. E digo isso baseada pela própria ciência. Acho complexo privar o paciente de alternativas alopáticas que resolveriam, de fato, o problema dele. Mas também não acho interessante excluir totalmente as alternativas naturais só porque a Ciência desenvolveu determinados medicamentos. Até porque é preciso dizer que, sim, também existe ciência nos produtos naturais. Como já disse, vejo o natural como um tratamento complementar e nunca como substitutivo”.

Leia a íntegra da entrevista:

JSBD – Qual é a visão da dermatologia sobre suplementos naturais voltados para o tratamento de doenças de? Eles ajudam no tratamento de alguma dermatite, por exemplo? Aumentam imunidade?
Tatiana Villas Boas Gabbi – Existem muitos produtos que são fitoterápicos e que têm essas funções mesmo, ou seja, podem melhorar a imunidade, a parte da ansiedade e que podem fazer parte de diversos tratamentos. Mas, como qualquer outro medicamento, têm pessoas que vão se adaptar melhor e outras que não vão responder tão bem ao uso. Então, eu acredito que exista, sim, lugar para o uso desses produtos, mas desde que se use com consciência de que pode não funcionar. Pode ser usado como uma suplementação, uma complementação, ao tratamento convencional, mas não como uma substituição. Na dermatologia usamos vários produtos de origem natural no dia a dia e temos resultados muito interessantes. Então, não existe a visão de que, por ser natural, não funcione ou seja inócuo. Vejo como um tratamento complementar e nunca como substitutivo.  

JSBD – O que acha dos óleos essenciais e vegetais?
TVBG – A aromaterapia é uma ciência muito incipiente ainda. Pouco se sabe exatamente sobre a forma como age, mas acredita-se que seja por meio do sistema límbico, que é um sistema mais rudimentar do cérebro e que guarda sensações. É um sistema que não participa dos pensamentos lógicos, mas sim, é ligado com sentimentos, com as reações emocionais. Então, alguns desses aromas deflagram essa parte do cérebro, e aí se tem alguns resultados interessantes, principalmente nessas doenças que têm envolvimento da parte psicológica do paciente. Dessa forma, a gente consegue melhorar a ansiedade, o estresse e outros sentimentos. Nesse sentido, os óleos essenciais, através da aromaterapia, podem ajudar o paciente como um todo, mas, como disse anteriormente, sempre complementando o que o dermatologista prescreveu.  Sempre na complementariedade, jamais na substituição. Porém, existe uma confusão muito grande entre óleos vegetais versus os óleos essenciais. Os essenciais são a essência da planta, no sentido do aroma da planta, daquela qualidade que a planta exala, é a sua alma. E o óleo vegetal, não. Ele é um óleo mesmo, também é feito de plantas, mas é um óleo oleoso. Um óleo essencial não é oleoso, ele tem esse nome, mas não é. E não deve ser usado em massagens se não estiver diluído em óleo vegetal, já que pode queimar a pele se usado sozinho ou em quantidade grande. Já o óleo vegetal é extremamente compatível com a pele, porque ele é um óleo de origem biológica. Então, ele tem várias moléculas compatíveis com a pele. Quando fazemos massagem com o óleo vegetal combinado com o essencial, podemos ter diversas vantagens para o relaxamento, para dores etc. Vale lembrar que alguns óleos essenciais podem ser considerados antissépticos, como, por exemplo, o óleo de melaleuca, que é muito estudado; ou o óleo de lavanda, que é extremamente relaxante. Existem muitos estudos nesse sentido.

JSBD – Há pessoas que usam, regularmente, inúmeros produtos naturais no seu dia a dia. Até que ponto esses tratamentos ajudam? E se não ajudarem, chegam a atrapalhar?
TVBG – Alguns óleos vegetais podem, sim, funcionar para ajudar a dermatite. Já os óleos essenciais podem ajudar, por exemplo, uma criança com dermatite atópica que está com dificuldade para dormir. É uma tentativa válida. Alguns produtos de origem natural podem atuar também como probiótico, ou seja, as fibras atuam como produtos que vão ajudar no funcionamento do intestino, como o kefir e a kombucha, que também podem ajudar na imunidade, na resposta inflamatória em alguns casos, por exemplo. Mas embora alguns deem uma boa resposta, é preciso cautela. Vejo muitos colegas se queixarem de pessoas que vão para a cozinha, começam a descascar frutas, batem no liquidificador e passam no rosto, no cabelo etc. E aí realmente complica, porque esses produtos têm, claro, alguma ação e isso pode causar problemas. A indústria estuda esses ingredientes isso com profundidade para entender qual é a melhor forma de entregar esses ativos para a pele, para o cabelo e até mesmo para as unhas. Então, é totalmente diferente usar a planta in natura versus usar algo que tenha aquilo na formulação.

JSBD – Há médicos que são mais abertos ao uso de medicamento naturais que outros (enquanto alguns apostam em algo mais natural como primeira tentativa antes de entrar com alopatia, outros condenam veementemente um tratamento fitoterápico). Essa é uma “rixa” de fato dentro da dermatologia ou são casos isolados?
TVBG – Eu acredito até que exista isso um pouco, que tenha um pouco de resquício disso, mas é um pouco de falta de observação por parte dos médicos que criticam os fitoterápicos, porque se a gente for observar, hoje em dia, todo mundo acaba utilizando alguma coisa. A indústria farmacêutica, a própria indústria cosmética, está utilizando cada vez mais os ativos vegetais nas formulações. A aloe vera, por exemplo, que é a babosa e tem um grande potencial de acalmar a pele e de hidratar o cabelo, é muito prescrita, ainda que não seja em uma formulação totalmente natural. E todo dermatologista sabe que ela é amplamente utilizada em vários produtos não naturais. Então, é bobagem ficar com rixa porque a gente sabe que são produtos que vão ajudar no tratamento. O que a gente não pode é suspender o tratamento e fazer um tratamento alternativo. Isso eu sou contra também. Agora, usar de forma integrativa algumas coisas, para compor o tratamento, e preservar aquele paciente de usar muitos medicamentos, utilizando alguns compostos mais naturais, é bem interessante.

JSBD – A água termal, por exemplo, é um produto teoricamente natural e que muitos dermatologistas receitam. Há outros medicamente amplamente usados na medicina – e especificamente na dermatologia – que sejam “acreditados” como as águas termais?
TVBG – Cada vez mais, a fitoterapia vem sendo reconhecida como uma modalidade terapêutica. Do ponto de vista da síndrome metabólica, existem muitos tratamentos coadjuvantes que podem ser feitos para poupar medicamentos mais agressivos. Se utiliza bastante o fitoterápico, por exemplo, para a questão do sono, para não precisar usar medicamentos mais sedativos; existem tratamentos para diminuir um pouco o impacto do açúcar no sangue, para ajudar no tratamento da diabetes; na ginecologia se usa o fitoterápico a base de soja para segurar um pouco os efeitos colaterais da menopausa; na obesidade se usa esses tratamentos para induzir à saciedade e diminuir compulsão alimentar. Então, fora da dermatologia, já está bastante consagrado o uso dos fitoterápicos em várias situações. Na dermatologia, o que eu possa falar é, por exemplo, sobre o pinheiro. O pinus pinaster que é usado para o melasma; o polypodium leucotomos, que também pode ser usado para o melasma e para reações fototóxicas à exposição a luz. Existem alguns fitoterápicos bem utilizados na dermatologia com esse intuito, já que as plantas têm que se proteger da exposição ao sol e, por isso, possuem uma grande quantidade de antioxidantes e de substâncias que melhoram a fotoproteção de dentro para fora. São produtos que vimos, sim, utilidade, mas se enxergamos como coadjuvantes no tratamento.

JSBD – Você enxerga, em alguns casos, vantagens do uso de naturais no lugar de alopáticos?
TVBG – Os produtos naturais têm várias vantagens em relação ao artificiais. E tem muita gente que realmente usa bastante. Mas é preciso prestar sempre bastante a atenção, porque alguns desses produtos têm uma quantidade grande de óleos essenciais que podem ser irritativos para a pele. Existe, por exemplo, a possibilidade de a pessoa usar um óleo essencial que era destinado a aromaterapia e, por não saber os riscos, usar isso direto na pele de forma errada e ter uma dermatite de contato. Isso pode acontecer. Então, nós, médicos, precisamos ficar atentos à hora de prescrever e explicar bem. Não é que os tratamentos não possam ser feitos e nem que eles não ajudem, mas pode ter um problema com o uso errado, sem a consciência correta da forma de utilizar. Já vi dermatite de contato periungueal por pessoas que usaram óleo puro de melaleuca por vários dias seguidos direto na região em volta da unha, que é uma área extremamente sensível.

JSBD – Dentro desse universo de produtos naturais, o que pode ser útil para melhorar algum problema específico de pele? Algum óleo ou creme com determinados ingredientes para rosácea ou dermatite atópica? Óleos mais densos para psoríase?
TVBG – Alguns dos produtos indicados para rosáceas têm ativos vegetais, como os óleos vegetais, a própria aloe vera, e alguns outros ativos que vem de plantas. A dermatite atópica também se beneficia muito dos óleos vegetais. É preciso lembrar também que alguns produtos que a gente usa para acalmar a pele, e que são industrializados, são basicamente uma combinação de óleos vegetais e óleos essenciais em concentrações que beneficiam a pele. Tem muitos produtos usados hoje em dia que são, quase que totalmente, óleos vegetais, como o óleo de rosa mosqueta e o óleo de amêndoa ¬– esse último, inclusive, sempre foi utilizado muito em dermatologia nas formulações para estrias.

JSBD – Ainda que alguns suplementos naturais não tratem especificamente a doença, se ajudar no sistema imunológico e/ou emocional, de alguma forma, é válido?
TVBG – Com certeza. A gente tem algumas influências do ambiente, não só da imunidade, mas também o próprio sono, a poluição etc. Em vários fatores o uso desses fitoterápicos pode ajudar. A criança que tem dificuldade para dormir pela dermatite atópica, ou o próprio adulto, como eu disse antes, pode usar o Hypericum. Há também a melatonina. Existem outros ativos, que são fitoterápicos, que ajudam nessa indução ao sono de uma forma natural. Então, mesmo que não se utilize para a doença propriamente dita, a gente consegue melhorar os fatores de risco e o ambiente que cerca esse paciente.

JSBD – Há alguma pesquisa que aponte os benefícios e malefícios de produtos naturais na dermatologia? Se sim, fale sobre isso.
TVBG – Existe pesquisa, sim, mostrando bons resultados no uso de produtos naturais na dermatologia. E como é muito de praxe na ciência, existem poucos estudos mostrando os efeitos negativos. Como eu citei, o mais frequente que a gente observa é justamente o abuso dos óleos essenciais por falta de conhecimento dos pacientes, usando de forma inadequada e causando dermatite de contato, já que esses ativos, esses óleos essenciais, são ricos em limoneno e geraniol, que são muito alergênicos e irritativos para um grupo de pessoas que têm a pele mais sensibilizada. E, normalmente, são essas pessoas que utilizam dessa forma. Mas isso não faz com que o produto não tenha o seu valor. Nesses casos, ele somente foi utilizado da forma errada. Então, eu não diria que é um malefício. Quando se tenta atribuir um valor que aquilo não tem ou tenta usar da forma inadequada, vai acontecer um problema. Mas isso não justifica a pessoa nunca mais usar e também não desvaloriza o produto. E esse é um ponto importante que temos que ficar atentos. Existe, sim, lugar para os ativos naturais desde que se saiba o que o paciente está usando. Outra situação complicada é quando o paciente vai ao dermatologista, adota um tratamento que não foi prescrito, e não conta para o médico no retorno. Isso é um problema. Porém, na maior parte das vezes, conseguimos retornar ao tratamento. Por isso é sempre importante um diálogo franco entre o paciente e médico dermatologista.

JSBD – A “onda” da cosmetologia/medicamentos naturais está cada vez mais forte, seja pelo fortalecimento que quer se dar a pequenos empreendedores e/ou por buscar produtos que não sejam testados em animais etc. Afinal, é possível uma dermatologia apenas com produtos assim?
TVBG – Eu não acredito em uma dermatologia que seja exclusivamente feita com produtos naturais. E digo isso baseada pela própria ciência. Acho complexo privar o paciente de alternativas alopáticas que resolveriam, de fato, o problema dele. Mas também não acho interessante excluir totalmente as alternativas naturais só porque a ciência desenvolveu determinados medicamentos. Até porque é preciso dizer que, sim, também existe ciência nos produtos naturais. Como já disse, vejo o natural como um tratamento complementar e nunca como substitutivo.

 


23 de março de 2021 0

Notas

Em busca de melhorias visando novas indexações e maior representatividade na área, a revista Surgical & Cosmetic Dermatology (S&CD) passará por mudanças significativas ao longo de 2021. Criada em 2009 com a missão de divulgar a cirurgia dermatológica, a oncologia cutânea, a cosmiatria brasileira e tecnologias, a revista possui edições trimestrais, com sistema de submissão online e revisão feita por pares, e atualmente está indexada nas bases de dados Scopus, Directory of Open Access Journais (DOAJ), LILACS, Sumários.org, Latindex, Periódica e Redalyc.

Já em vigor, uma das mudanças implementadas é que tanto a versão em português quanto a em inglês passam a ser veiculadas somente na versão online, o que permitirá à SBD maior investimento em melhorias no site e no sistema de submissão e artigos.

Outra mudança prevista é a transição para o sistema de publicação em fluxo contínuo. Isso significa que os autores podem submeter artigos a qualquer momento e, assim que o trabalho passar pelo processo de revisão por pares, será imediatamente publicado online e estará pronto para ser citado. Diferentemente do modelo tradicional em que o artigo seria publicado na edição trimestral depois que um grupo de manuscritos fosse aprovado.

O acesso à íntegra da revista, em formato e-book, nos dois idiomas, pode ser feito pelo site www.surgicalcosmetic.org.br.

Saiba mais e submeta seu artigo de investigação: clique aqui.


23 de março de 2021 0

Destaque

Lançado em fevereiro, o SBDcast é o novo canal de conhecimento, ciência e informação da SBD. A iniciativa inédita da entidade, entra no ar sempre às quartas-feiras, exclusivamente para os associados, com conteúdo disponibilizado na área do associado no site da SBD e também no aplicativo da instituição. O objetivo é ser um espaço permanente de atualizações sobre temas de interesse para o atendimento em dermatologia.

Dentre os temas que já foram abordados, estão dieta e acne; cuidados com a pele da criança; vacinas em dermatologia; infiltração com corticoide; atualização terapêutica em hidradenite e o uso do minoxidil oral nas alopecias. Estão previstos episódios sobre defesa profissional; artigos científicos e ações da diretoria em prol do associado.

ACESSE A ÁREA RESTRITA DO ASSOCIADO PARA OUVIR OS EPISÓDIOS

Podcast – Para definir o formato do podcast, foram analisadas experiências realizadas também por entidades médicas. Além disso, a Gestão 2021-2022 também fez um estudo sobre as vantagens e limites dos serviços de podcasts, que têm entre suas características serem acessíveis em momentos de deslocamento ou fora de contexto de trabalho ou sala de aula.  Segundo pesquisa Ibope, três em cada quatro ouvintes (75%) escutam programas desse tipo pelo smartphone.

O formato já é considerado um sucesso no Brasil. Conforme dados analisados, por volta de 40% da população usuária de internet do país (cerca de 50 milhões de pessoas) já ouviram ao menos um podcast. De acordo com o relatório State of the Podcast Universe, publicado pela Voxnest, o Brasil já desponta como líder do ranking mundial na produção desses programas. Também é um dos maiores consumidores, ao lado do Reino Unido e do Canadá.

“Entre as mídias digitais, diferentes pesquisas apontam o podcast como um dos formatos preferidos pelos brasileiros. Por isso, a SBD decidiu desenvolver, por meio desse canal, uma nova opção de educação continuada para seus associados. É mais uma ação que reforça o compromisso da Sociedade com a atualização dos profissionais e a qualidade da assistência dermatológica no Brasil”, salientou o presidente da SBD, Mauro Enokihara.

 

 

 


23 de março de 2021 0

Entrevista

Ampliar o diálogo com os associados e o público em geral é um dos compromissos da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), de acordo com Beni Grinblat, 2º secretário da instituição. Em entrevista ao Portal da SBD, ele salientou a importância da comunicação para o crescimento da especialidade, além do objetivo de estreitar a proximidade com os dermatologistas. “É fundamental que o associado se sinta acolhido e parte integrante, porque a SBD realmente é de todos”, afirmou.

Ele evidenciou ainda o papel educativo da entidade em levar informações à população e proporcionar um diálogo acessível com o público sobre doenças e cuidados com a pele. Essa estratégia, segundo o 2º secretário, que é responsável pela área de comunicação da entidade, contribui com o fortalecimento da defesa profissional da dermatologia e beneficia a consolidação da imagem da instituição frente aos especialistas e ao público leigo.

Beni explicou também que entender o perfil dos públicos da SBD é um caminho para a construção de uma comunicação mais assertiva. Um exemplo destacado pelo 2º secretário é o projeto SBDCast, que busca promover debates exclusivos para os associados com a participação de especialistas na área. A iniciativa proporciona a atualização em diversos temas de interesse dos membros da entidade, e aumenta a visibilidade da SBD e da dermatologia.

Confira, a seguir, a entrevista na íntegra com Beni Grinblat.

Portal da SBD: Quais são os principais desafios da comunicação da SBD?
Beni Grinblat:  São vários, mas o principal – e não é algo exclusivo da comunicação da SBD – é essa dificuldade de conseguir comunicar aquilo que se deseja para o público que foi determinado como alvo. Hoje somos bombardeados com informação em excesso, de todos os lados, o que gera uma concorrência enorme. São muitos os “comunicadores”.  Além da disputa com as fontes tradicionais de informação, há blogueiros, youtubers e o problema crescente das fake news. Então, o desafio é conseguir chamar a atenção do nosso público, nesse cenário múltiplo em opções, e se comunicar de forma efetiva.

Portal da SBD: É importante estabelecer um canal de comunicação com o público leigo ou manter esse diálogo apenas com os associados da entidade?
BG: O papel da SBD é reforçar os dois modelos de comunicação. Obviamente, há o foco intenso sobre o associado, mas agora também é fundamental conversar com o público em geral. As nossas regionais já começaram a entender isso também. Acho que é um desafio, porque apesar de serem duas formas de comunicação teoricamente diferentes elas constantemente vão se imbricar. Óbvio que a gente precisa comunicar aos associados as ações e eventos da SBD, mas para o público leigo isso é muito distante se não existir uma tradução dessas iniciativas. É preciso enfatizar a educação em saúde, sempre alertando sobre doenças e cuidados da pele. Além disso, há uma necessidade de explicar propriamente o que é a dermatologia. Algo que já entra na esfera de defesa profissional.

Portal da SBD: O que o público em geral precisa saber sobre a dermatologia?
BG: A população precisa entender o que diferencia um dermatologista de outros profissionais, qual a sua formação e suas competências. Muita gente não compreende essas informações e nosso papel também é educar essa população. Então, sobre o que comunicar ao público leigo, eu acho que há dois focos: esse mais voltado à educação em saúde e outro sobre a especialidade.

Portal da SBD: Como estreitar a relação entre a instituição e os associados?
BG: Em relação ao associado, obviamente precisamos insistir na divulgação dos eventos e demais ações da SBD. Mas acho que a gente também tem que funcionar como um canal próximo de interlocução, de modo que o associado se sinta acolhido e parte integrante. Esse pertencimento é fundamental, porque a SBD realmente é de todos, é dos dermatologistas e para os dermatologistas. Para estreitar essa relação, não adianta entender o que precisa ser comunicado, se a gente não sabe como fazer isso de forma adequada. É imprescindível estabelecer essa comunicação através dos meios nos quais ele está inserido e corriqueiramente acessa. O projeto de desenvolvimento do SBDCast é justamente isso: mais uma forma de se aproximar desse perfil de associado que hoje está integrado ao universo dos podcasts. Para gente chegar próximo ao associado, esse mapeamento das ferramentas disponíveis é um primeiro passo, que abre possibilidades mais assertivas para alcançarmos o nosso público.

Portal da SBD: Quais os diferenciais das comunicações para cada público?
BG: A comunicação para o público leigo e para associados são independentes, mas elas também se relacionam. Por exemplo, vamos fazer uma peça em rede social para o público leigo. É importante que esse conteúdo também chegue ao profissional para que ele também seja um ótimo replicador do que a gente está divulgando para a população. Se eu coloco um post no Instagram focado em proteção solar, se o meu público associado também replica esse post, muito mais gente vai: em primeiro lugar, aprender, ser educada, receber informação de qualidade e confiança; em segundo lugar, muito mais gente vai saber que existe a Sociedade Brasileira de Dermatologia. Então, fortalece das duas maneiras, ajuda a educar e também fortalece a sociedade e a nossa especialidade. Por isso que são comunicações teoricamente diferentes, mas muitas vezes se imbricam.

Portal da SBD: Quais os principais objetivos estabelecidos pela SBD em sua comunicação?
BG: Para o público leigo, nosso objetivo é que as pessoas entendam que existe uma sociedade forte da especialidade e o que é essa especialidade. Perante os associados, temos que mostrar a nossa força, e a comunicação ajuda nisso. Outra coisa que é muito importante na comunicação é a assessoria de imprensa. A gente vê que, por incrível que pareça, nem sempre os dermatologistas serem contatados para falar de assuntos dermatológicos. É preciso educar a imprensa de que existe uma Sociedade Brasileira de Dermatologia e a importância da entidade como porta-voz dos assuntos dermatológicos.


23 de março de 2021 0

Apresentações dinâmicas e interativas, voltadas à atualização prática dos especialistas no diagnóstico e tratamento das principais dermatoses pediátricas. Quem participou do evento online organizado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), no sábado (6/3), ficou satisfeito com os resultados alcançados.

Sucesso de audiência, com mais de mil congressistas, o II Simpósio de Dermatologia Pediátrica, contou com uma programação científica que proporcionou, ao final, sete horas de conteúdo ministrado por experts da área.  Conforme frisou a coordenadora do Departamento de Dermatologia Pediátrica da SBD e uma das responsáveis pelo evento, Silvia Souto Mayor, as inovações empregadas neste Simpósio foram o ponto alto, principalmente a possibilidade de enviar antecipadamente dúvidas técnicas aos palestrantes.

“Essa mudança permitiu que os convidados conduzissem as aulas de maneira mais assertiva, com foco nessas questões, estabelecendo assim um novo ritmo às aulas. Aquelas perguntas que não puderam ser solucionadas, em função do tempo, serão posteriormente elucidadas por e-mail”, afirmou.  

Debates – As conferências do Simpósio incluíram debates sobre os seguintes temas: “Dermatoses no neonato: O que o dermatologista deve saber? ”; “Exantemas na infância: o que há de novo? ”; “Rosácea, Dermatite periorificial e Acne na criança: como abordar? ”; “Psoríase e Dermatite Seborreica: como abordar? ”; “Hemangiomas e Malformações Vasculares: como abordar? ”; “Dermatite Atópica: o que há de novo e como abordar na prática”; dentre outros.

Na avaliação do presidente da SBD, Mauro Enokihara, a realização do evento foi um sucesso absoluto justamente por enfatizar questões vivenciadas pelos dermatologistas no dia a dia de atendimentos. “A participação ativa do público, desde o momento da inscrição e durante o evento, interagindo com os palestrantes pelo chat, foi um grande acerto de formato. O Simpósio iniciou de maneira extremamente bem-sucedida a temporada de grandes eventos que serão promovidos pela SBD, ao longo de 2021”, pontou.  

Segundo ele, a atividade de sábado exemplifica o compromisso da Gestão 2021-2022 em entregar aos associados eventos de qualidade na forma e no conteúdo. Os participantes que não tiveram a oportunidade de acompanhar todas as apresentações do II Simpósio podem ainda acessar o material apresentado.

As conferências e demais discussões estarão disponíveis por 30 dias, após o encerramento do Simpósio. Confira em: https://www.sbd.org.br/simposio-de-dermatologia-pediatrica/.


23 de março de 2021 0

Covid-19

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) encaminhou nesta quarta-feira (13/1) correspondência ao Conselho Federal de Medicina (CFM) e à Associação Médica Brasileira (AMB) com considerações e recomendações técnicas relacionadas à vacinação contra Covid-19, no País. No texto, a entidade reafirma que, com esse envio, cumpre seu papel de subsidiar o debate técnico e científico com vistas ao aperfeiçoamento da assistência à população.

“Nossa intenção é levar a SBD a manter sua participação ativa nos grandes debates que se relacionam com as ações de saúde pública. Isso fortalece o papel de nossa especialidade como formuladora de propostas que têm ajudado o País, como já ocorreu no enfrentamento da hanseníase e do câncer de pele”, afirmou o vice-presidente Heitor de Sá Gonçalves.

Juntamente com o ofício ao CFM e à AMB foram anexados dois documentos produzidos por especialistas de Departamentos da SBD. No primeiro, constam considerações sobre a implementação de uma campanha nacional de vacinação contra a Covid-19 no Brasil. Este trabalho traz alertas sobre medidas que, na visão dos dermatologistas, devem ser adotadas para garantir maior segurança e eficácia durante o processo.

Dermatologistas – As considerações foram elaboradas pelo grupo formado pelos dermatologistas Paulo Antônio Oldani Felix, Maria Cecilia de Carvalho Bortoletto, Luna Azulay-Abulafia, André Vicente Esteves de Carvalho, Ricardo Romiti, Elizabeth Vaz de Figueiredo Moreno Batista, Jane Marcy Neffá Pinto, Luiza Keiko Matsuka Oyafuso e María Victoria Suárez Restrepo. Posteriormente, o documento foi validado pela Diretoria-Executiva da Gestão 2021-2022.

LEIA A ÍNTEGRA DO POSICIONAMENTO DA SBD SOBRE VACINAÇÃO

O mesmo aconteceu com o outro texto anexado: a manifestação técnica sobre o uso de imunizantes para Covid-19 em pacientes de doenças imunomediadas. Esta nota com relevantes reflexões sobre os cuidados para a cobertura vacinal da população com esse perfil foi, inclusive, compartilhada anteriormente com os associados da SBD.

LEIA A ÍNTEGRA DA MANIFESTAÇÃO DA SBD SOBRE USO DE VACINAS EM PACIENTES COM DOENÇAS IMUNOMEDIADAS

Para o presidente da entidade, Mauro Enokihara, como toda a comunidade médica e científica, a SBD tem acompanhado, desde 2020, a evolução da pandemia de Covid-19 no mundo, a qual tem gerado graves consequências epidemiológicas e econômicas para as populações. “Assim, o surgimento de vacinas capazes de reduzir o número de novos casos e evitar o aparecimento de complicações de maior complexidade configura um alento nos tempos atuais. Por isso, nesse momento, a SBD faz esses aportes, que podem ser úteis ao enfrentamento dessa crise”, lembrou.





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