Uso incorreto do filtro solar diminui a sua eficácia




26 de julho de 2018 0

O filtro solar protege contra o câncer da pele, mas o uso incorreto diminui a eficácia do produto. Uma pesquisa revela que a maioria das pessoas usa uma quantidade menor do que a recomendada. Em matéria ao Jornal da Band veiculada nesta quinta-feira (26/7), o dermatologista Fábio Cuiabano fala sobre a quantidade ideal de protetor solar a ser aplicada para garantir sua eficácia. Clique na imagem para assistir.

 


25 de julho de 2018 0

Após o caso da bancária Lilian Calixto, de 46 anos, que morreu depois de realizar um preenchimento nos glúteos com polimetilmetacrilato (PMMA), a polícia do Rio investiga outros dois casos semelhantes. Ao serem socorridas, as vítimas apresentavam falta de ar, o que sugere embolia pulmonar. A suspeita é de que o produto aplicado para dar volume ao corpo tenha sido injetado dentro de um vaso sanguíneo, se deslocado até uma artéria pulmonar e provocado a parada cardiorrespiratória. Segundo médicos, esse é um dos maiores riscos envolvidos no procedimento.

— O PMMA não é um produto que costuma ser usado por cirurgiões plásticos. É liberado pela Anvisa para uso em pequena quantidade na face em pacientes com HIV e perda de gordura. A substância não é absorvida pelo organismo e não há estudos que comprovem a sua segurança a longo prazo — afirma Sérgio Bocardo, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e chefe do setor de cirurgia plástica do Hospital Federal de Ipanema.

Estudos que avaliaram a segurança do PMMA foram realizados com o uso de 22 ml.


Material usado para procedimentos estéticos apreendidos na cobertura do Dr. Bumbum, na Barra Foto: Fabiano Rocha / 17.07.2018

De acordo com o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Sérgio Palma, preenchedores permanentes, como o PMMA, estão mais ligados a complicações:

— As imediatas, mais graves e temidas estão relacionadas com os acidentes vasculares por embolização ou compressão arterial e venosa.

A SBD recomenda a utilização do ácido hialurônico como padrão ouro de preenchedor estético facial. A substância custa dez vezes mais que o PMMA.

— O ácido hialurônico pode ser utilizado para depressões glúteas e não para aumento de volume. Se a intenção for essa, o indicado é a colocação de prótese de silicone por um cirurgião plástico — diz Palma.

A realização de procedimentos estéticos, como lipoaspirações e suas variadas nomenclaturas (lipolight, lipoescultura) em local não apropriado, como salões de beleza, é outro grande risco.

— No lugar de sedar o paciente e fazer o procedimento com toda a segurança num centro cirúrgico, o profissional terá que lançar mão de anestésico local. Existe uma dose máxima que pode ser usada, sob risco de intoxicação, podendo causar convulsão, arritmias e parada cardíaca. Para uma lipo, sabemos do uso de anestésico local em doses altas, até cinco vezes mais que o máximo recomendado. É um grande risco — alerta Bocardo.

Bocardo diz que o primeiro passo antes de se submeter a uma cirurgia é se certificar que o profissional tem registro ativo no Conselho Regional de Medicina do estado, no caso, o Cremerj. Isso é possível saber pelo site da entidade (www.cremerj.org.br). Depois, verificar se o médico tem capacitação e é especialista pela SBCP, acessando o site www2.cirurgiaplastica.org.br. É bom lembrar que a Associação Médica Brasileira e o Conselho Federal de Medicina não reconhecem medicina estética como uma especialidade médica.

Fonte: Extra


25 de julho de 2018 0

O Jornal Nacional desta terça-feira (24/7) abordou os cuidados a serem tomados antes da realização procedimentos estéticos. O local, as condições e o profissional devem ser observados com atenção pelo paciente.

Na reportagem, o médico dermatologista Marcio Serra afirmou que “não existe estética sem saúde”, e as mídias sociais não são os meios mais indicados na procura pelo profissional habilitado a realizar esse tipo de tratamento.

Clique na imagem para assistir a íntegra da matéria.

 

 


23 de julho de 2018 0

O caso do médico brasileiro Denis Cesar Barros Furtado – conhecido nas redes sociais como Dr. Bumbum – acusado de injetar uma grande quantidade de polimetilmetacrilato (PMMA) nos glúteos de uma paciente em um procedimento no próprio apartamento onde vivia, no Rio de Janeiro, gerou comoção no Brasil.

Furtado, que era seguido por mais de meio milhão de pessoas no Instagram, fez o procedimento estético na bancária Lilian Calixto, de 46 anos, fora do ambiente ambulatorial ou hospitalar, contrariando regras de segurança.

A paciente morava no estado do Mato Grosso, centro-oeste brasileiro, e viajou ao Rio de Janeiro para fazer a bioplastia – como é conhecido o procedimento. De acordo com relatos na imprensa, Lilian avisou a família que voltaria para sua cidade logo após o procedimento. De acordo com um vídeo publicado nas redes sociais pelo próprio médico, seis horas após o procedimento Denis levou Lilian ao hospital para ser socorrida, mas dentro de algumas horas, o quadro da bancária evoluiu para óbito por parada cardíaca. A suspeita é que tenha ocorrido um tromboembolismo venoso em decorrência do preenchedor. Até o momento as causas da morte não foram divulgadas.

Furtado e a mãe, que é ex-médica, ficaram foragidos por quatro dias e foram presos nesta quinta-feira (20), no Rio de Janeiro, onde serão indiciados pela morte de Lilian Calixto.. A tragédia levantou discussão sobre o uso seguro do PMMA, material supostamente usado no procedimento. Apesar de a substância ser aprovada e regulamentada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), especialistas consultados pelo Medscape recomendam cautela no uso.

O PMMA é um preenchedor biocompatível bifásico, composto por microesferas suspensas em uma solução de colágeno bovino, carboximetilcelulose ou hidroxietilcelulose. O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Dr. Sérgio Palma, informa que o PMMA é um preenchedor definitivo, pois não é absorvido pelo corpo.

"É um produto utilizado para sustentação, reposição de volume da face e de volume corporal, e para preenchimento de sulcos", explica.

De acordo com o especialista, a aplicação deve ser limitada a pequenas quantidades, como é tipicamente feito em casos de preenchimento reparador da lipodistrofia facial decorrente de aids. O Sistema Único de Saúde (SUS) inclusive prevê em seu rol de procedimentos o uso do PMMA em pacientes que apresentam diminuição do tecido adiposo facial em decorrência do HIV ou dos medicamentos antirretrovirais.

O Dr. Márcio Soares Serra, dermatologista membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, faz preenchimento com PMMA em pacientes com HIV há duas décadas. De acordo com ele, o sucesso da aplicação depende muito da técnica do médico, e a substância não é indicada para aplicação em grandes quantidades, já que não existem trabalhos de longo prazo mostrando eficácia e segurança. Em estudo do uso em pequena quantidade, como 22 ml, o preenchimento pode ser seguro[1], desde que o médico esteja tecnicamente habilitado para utilizar o produto corretamente.

De acordo com o Dr. Serra, o preenchedor deve ser utilizado de forma subcutânea.

"Na minha experiência, todos os problemas que vi relacionados ao PMMA, aconteceram quando o produto foi injetado muito profundamente, dentro do músculo, ou muito superficialmente".

A Dra. Marcela Cammarota, cirurgiã plástica e secretária-adjunta da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) adverte: usar o PMMA nas quantidades necessárias para preenchimento do glúteo, panturrilha e coxas não é recomendado, pois a chance de complicação é muito alta.

No caso de preenchimento estético para aumento de glúteo, a quantidade utilizada de PMMA pode variar de 400 ml a até 1,5 l, o que aumenta exponencialmente a imprevisibilidade dos efeitos colaterais, e é absolutamente desaconselhado, orienta a Dra. Marcela.

Problemas com o PMMA

O cirurgião plástico Dr. Wendell Uguetto, membro da SBCP conta que, mesmo usado em pequenas quantidades, o PMMA não está livre de efeitos adversos decorrentes da aplicação. Os efeitos podem surgir, inclusive, muitos anos depois do uso do produto. Entre eles estão edema, infecção no local da aplicação, granuloma, e migração da substância para outra parte do corpo.

Quando acontece algum problema com o preenchimento, é preciso uma intervenção cirúrgica para tentar retirar o produto do corpo, o que não acontece em sua totalidade, já que o PMMA pode se entremear aos tecidos do paciente, dificultando a retirada.

O Dr. Palma explica que, na maioria dos casos, as complicações posteriores do uso do PMMA não comprometem a vida, mas a autoestima do paciente, pois os efeitos como edema e granuloma são visíveis.

"Alguns pacientes podem precisar de medicações que controlem essas reações imunológicas e inflamatórias, como corticoides. Muitas vezes é preciso tomar ciclos de medicações anti-inflamatórias para contornar o problema", diz o dermatologista, acrescentando que, como o PMMA é um preenchedor definitivo, os problemas podem retornar depois de algum tempo.

A dermatologista Dra. Larissa Montanheiro se preocupa também com o risco da aplicação.

"Ele se torna mais alto quando o médico não tem boa técnica, treinamento, e excelente conhecimento da anatomia. Na falta desses quesitos, pode ser indicado erroneamente".

Há diferentes marcas de PMMA no mercado. A manipulação do produto foi proibida pela Anvisa em 2007, portanto o preenchedor vem em seringas prontas para o uso.

Para o Dr. Uguetto, a substância não deveria ter autorização da Anvisa, em decorrência dos problemas que podem acontecer anos depois. Para ele, há alternativas mais seguras que proporcionam resultados semelhantes, como o ácido hialurônico – embora os efeitos deste durem no máximo 18 meses, o que exige reaplicação. Mesmo com um custo que chega ser até 10 vezes maior do que o do  PMMA, o Dr. Uguetto considera o uso de ácido hialurônico mais prudente, tanto para preenchimentos reparadores quanto para fins estéticos.

Fonte: Medscape


20 de julho de 2018 0

A médica dermatologista da SBD Dra. Alessandra Romiti fala sobre a importância de verificar a formação do profissional que realizará procedimentos estéticos invasivos – dermatologistas e cirurgiões plásticos – profissionais que dispõem de formação necessária para a realização desse tratamento, bem como para lidar com as possíveis complicações.

Clique na imagem para ver a íntegra do vídeo, que está disponível na perfil oficial da Sociedade Brasileira de Dermatologia no Facebook.


6 de julho de 2018 0

Durante o Décimo Teraderm, em julho, no Rio de Janeiro, foi realizada a segunda fase do experimento sobre vitamina D e fotoproteção, promovido pela SBD, e coordenado pelos dermatologistas Flávio Luz (secretário-geral), Hélio Miot (1º secretário), Clivia Oliveira Carneiro e Luiza Alonso, além da patologista clínica Analúcia Xavier, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Na primeira parte do estudo, concluída no ano passado, constatou-se que a exposição solar suberitematosa com fotoprotetor tópico, aplicado de maneira usual, permite a síntese de vitamina D comparável à obtida sem fotoproteção em adultos saudáveis. Na segunda fase do projeto, mediante uma metodologia mais minuciosa e usando a cromatografia líquida, técnica de dosagem padrão-ouro, foram avaliados 56 voluntários divididos em três grupos. Os participantes foram submetidos a pareamento prévio de acordo com sexo, IMC, faixa etária e fototipo, além de seguirem uma dieta controlada com diário alimentar.

A partir desse estudo mais sistemático, fundamentado em uma proposta inovadora e inédita, serão incorporados novos conhecimentos sobre o assunto que é de extremo interesse aos dermatologistas.

Os resultados serão divulgados em breve nos canais de comunicação da SBD.


25 de junho de 2018 0

O vitiligo não é contagioso, mas pacientes ainda são estigmatizados por conta do aspecto das lesões esbranquiçadas.

Numa parceria com o Portal do Drauzio Varella, o médico dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Caio de Castro, responde a seis perguntas para esclarecer dúvidas sobre a doença.

Clique na imagem para assistir.

 

 


18 de junho de 2018 0

 

Eliane Medeiros (21 anos) é modelo profissional, estudante de Direção de Artes e tem vitiligo. Seu depoimento no filme https://youtu.be/6PT9Gu3_Qfw (1”15’) mostra que leva uma vida normal e se aceita como é, com suas manchas. Para ela, a única diferença que existe é que a sua pele é sensível, e precisa de mais cuidados, além de utilizar o filtro solar. A doença, que ainda não tem cura, acomete cerca de 1% da população mundial e 0,5% da brasileira, e não é transmissível. 

O vitiligo é facilmente diagnosticado pela presença de manchas brancas em qualquer área da pele, que não têm melanócitos, células responsáveis pela formação da melanina, pigmento que dá cor à pele. Por conta dessas características, pessoas que têm vitiligo costumam enfrentar muito preconceito. Pensando nisso, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) aproveitou o dia 25 de junho, Dia Mundial do Vitiligo, para promover uma campanha de conscientização da doença. As ações da SBD têm como objetivo esclarecer e diminuir o preconceito acerca do assunto.

Durante o filme, Eliane Medeiros fala sobre os preconceitos que já passou e faz um alerta para a população. “Ninguém quer ser rejeitado ou deixado de lado por uma característica que é sua. Antes de você se afastar de algo ou praticar algum tipo de atitude pejorativa, você precisa se informar. Vitiligo não passa”, diz ela. O depoimento de superação da modelo também faz parte do filme. “Foi um processo bem doloroso, mas hoje eu consigo me aceitar da forma como eu sou. Eu me acho bonita, eu me acho interessante. Comecei a enxergar o meu trabalho como uma forma de transformação social. Você também pode ser feliz e bonita do jeito que você é, tendo vitiligo ou tendo qualquer outra característica”, afirma.

Os cuidados necessários que as pessoas que possuem vitiligo precisam ter é se proteger do sol, usando medidas fotoprotetoras, evitar roupas apertadas, ou que provoquem atrito ou pressão sobre a pele, e controlar o estresse. Esses fatores podem precipitar o aparecimento de novas lesões e acentuar as já existentes. “As lesões provocadas pela doença, não raro, impactam significativamente na qualidade de vida e na autoestima. Por isso, na maioria dos casos, recomenda-se o acompanhamento psicológico, para prevenir o aparecimento de novas lesões e garantir efeitos positivos nos resultados do tratamento”, explica a Dra. Ivonise Follador, médica dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). 

É uma doença genética e autoimune, mas nem todos os motivos que desencadeiam a autoimunidade já foram esclarecidos. Além disso, alterações ou traumas emocionais também podem estar entre os fatores que desencadeiam ou agravam a doença. O vitiligo não tem muitos sintomas físicos, e sim psíquicos. “Em alguns casos, os pacientes relatam sentir sensibilidade e coceira na área afetada.  Mas, a grande preocupação dos dermatologistas são os sintomas emocionais que os pacientes podem desenvolver em decorrência da doença. Eles precisam conversar com o médico e psicólogo para não deixar a dermatose virar o centro da sua vida, levar à baixa estima e retração social. A família tem papel fundamental na superação da doença, principalmente na infância”, comenta a dermatologista. 

Segundo Dr. Caio Castro, outro médico dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), apesar da doença ainda não ter cura, existem resultados excelentes e satisfatórios no tratamento do vitiligo, que visam controlar a doença, cessando o aumento das lesões (estabilização do quadro) e repigmentando a pele. “O tratamento é individualizado e pode ser realizado a partir da fototerapia com radiação ultravioleta B banda estreita (UVB-nb), fototerapia com ultravioleta A (PUVA), tecnologias como o laser, bem como técnicas cirúrgicas de transplante de melanócitos. Também existem medicamentos em fase de pesquisas e/ou estudos que devem surgir em médio prazo”, conta o médico.

A SBD também alerta para cuidado com medicamentos ditos milagrosos, fórmulas ditas naturais e receitas dadas por leigos. “Esses procedimentos podem levar à frustração e a reações adversas graves” pondera o médico Caio Castro. O dermatologista é o profissional mais indicado para realizar o diagnóstico e tratamento da doença. Além disso, é válido lembrar que o vitiligo não é contagioso. Busque um médico associado à SBD aqui no nosso site: www.sbd.org.br/associados/.


18 de junho de 2018 0

O albinismo é causado por uma mutação genética que provoca falta de cor na pele, olhos ou pelos. Os albinos estão sujeitos a doenças como problemas de visão e câncer da pele. Mas com alguns cuidados é possível levar uma vida normal e feliz. 

Clique na imagem para assistir a reportagem veiculada pela TV Cidade Verde (SBT do Piauí) pelo Dia Mundial da Conscientização do Albinismo (13 de junho), com a participação da presidente da Regional Piauí, Fernanda Ayres.

A médica cita a campanha da SBD "Albinismo além do que se vê" que celebra as conquistas e a luta pela valorização da pessoa albina.


25 de maio de 2018 0

O caso da paciente Priscilla Aguiar, que realizou uma rinomodelação com ácido hialurônico, serve de alerta para a população. O procedimento realizado por biomédica, em Olinda, evoluiu com necrose de pele e agora uma série de tratamentos deverão ser feitos para recuperação dos danos. Apesar de aparente simplicidade, preenchimentos podem resultar em lesões de difícil reparação e deformidades.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia alerta que procedimentos estéticos devem ser realizados apenas por médicos, que são profissionais habilitados para também tratar as eventuais complicações. Profissionais que não tenham a devida habilitação e autorização legal para a sua execução podem provocar  risco à saúde pública da população.

Leia matéria sobre o caso noticiada nesta sexta-feira (25/5) no O Globo
 

Preenchimento para corrigir marcas e envelhecimento pode causar cegueira e derrame

Debate sobre profissionais que podem usar ácido hialurônico já chegou à Justiça

 

RIO — A jornalista Priscilla Aguiar, de 32 anos, preparava-se para ir à Europa quando decidiu fazer um rápido procedimento estético no nariz, em Olinda. Em vez da esperada viagem, acabou internada por dez dias, por complicações causadas pelo preenchimento com ácido hialurônico. A substância, usada para tratar sinais de envelhecimento ou corrigir marcas no rosto, atingiu uma artéria que tem conexão com os olhos e o cérebro.

— Fui à clínica fazer um tratamento contra manchas e lá resolvi fazer a rinomodelação. No dia seguinte, em vez de melhorar, o nariz só ficava mais estranho. Mandei fotos para a biomédica e ela, através da secretária, disse para não apertar. No sábado (o procedimento foi feito quinta), começou a sangrar e a doer bastante. Ela disse para eu colocar gelo. No domingo, quando acordei, estava horrível. Fui para a emergência, e o resultado do exame deu necrose — lembra Priscilla.

No hospital, com o nariz necrosado, ela soube que correu o risco de perder a visão e sofrer um AVC. Uma dermatologista, convocada para a junta médica que a atendeu, aplicou uma enzima para quebrar o efeito do ácido. A partir dali, a jornalista foi colocada em uma câmara hiperbárica para acelerar a cicatrização, tomou antibióticos e recebeu alta. Agora, vai começar tratamento para cicatrizes, sem garantias de que se recuperará totalmente.

O caso de Priscilla não é isolado. Tido como seguro quando feito por profissionais habilitados, o preenchimento com ácido hialurônico tem potencial invasivo, e quem o faz deve conhecer anatomia da face, farmacologia e características físico-químicas do material utilizado. Isso, no entanto, nem sempre acontece.

Laurent Attal, dermatologista: "Brasil é laboratório mundial de cosméticos"

— As estatísticas com relação ao procedimento são mais de sucesso. Mas temos visto muitas complicações, e isso assusta. Não é algo banal ou simples de realizar. Nossa preocupação é alertar sobre qual profissional escolher. Há relatos frequentes de quem faz em salão de beleza. É uma injeção, não uma massagem. Cabe ao paciente escolher um profissional médico, primordialmente dermatologista — indica Luiza Guedes, coordenadora da área de Cosmiatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD-RJ).

Os especialistas ressaltam que o profissional, além de saber aplicar o ácido, deve ser capacitado para lidar com eventuais complicações. Para a dermatologista Lucila D’Amico Póvoa, o conhecimento da anatomia é fundamental:

— Deve-se saber exatamente qual caminho o ácido vai percorrer. Também temos que ter no consultório uma substância chamada hialuronidase, que anula o efeito do ácido hialurônico. Se houver a obstrução de algum vaso, a gente pode observar e aplicar o produto.

Priscilla, que fez o procedimento com uma biomédica, compartilhou o seu caso nas redes sociais, causando reação na classe. A presidente da Sociedade Brasileira de Biomedicina Estética, Ana Carolina Puga, defende que os biomédicos são capacitados e autorizados a realizar o procedimento. Ela diz, porém, que a entidade não indica a rinomodelação.

— É um procedimento estético de alto risco. Em caso de erro humano, as sequelas são irreversíveis. Nada será capaz de restaurar a anatomia original do nariz. Sempre recomendo ao paciente que, ao sinal de qualquer sintoma pós-procedimento estético, volte ao profissional, porque ele é apto a diagnosticar o problema e evitar maior complicação. Caso não consiga, ele vai indicar o tratamento necessário.

André Cervantes, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, pontua que a rinomodelação não é um termo médico, que foi instituído pela “classe dos não médicos”:

— Somos receosos com essa técnica, já que a probabilidade de causar efeitos indesejados é bem grande. Usamos o ácido, na maioria das vezes, para correções pós-operatórias.

Os dados mais recentes da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica mostram que, em 2016, o número de procedimentos não cirúrgicos teve um crescimento de 79,15% em relação a 2014. A aplicação de toxina botulínica, o botox, teve aumento de 96,4%, seguido da técnica de preenchimento, com 89,5%. A banalização desses procedimentos, sem pesquisa prévia, preocupa Sergio Palma, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia:

— Há inúmeras doenças dermatológicas que devem ser identificadas antes de qualquer procedimento, como peeling ou botox, assim como as contraindicações, como ter doença autoimune.

O debate sobre quem pode ou não realizar o procedimento já chegou à Justiça. Em outubro de 2016, uma determinação judicial no Distrito Federal proibiu os biomédicos de realizar procedimentos comuns em clínicas de estética como botox, preenchimentos e peelings profundos. A decisão dá aval a uma ação movida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) para anular três resoluções do Conselho Federal de Biomedicina, com objetivo de limitar a atuação de biomédicos em técnicas consideradas invasivas. O Conselho Federal de Biomedicina entrou com recurso pedindo a suspensão da execução imediata da sentença. Enquanto a Justiça analisa o pedido, os biomédicos seguem autorizados.

NA JUSTIÇA

Segundo a advogada Melissa Areal Pires, a “judicialização” da questão começa em 2013, com a Lei do Ato Médico. Um inciso do artigo 2°, que estava no projeto de lei e acabou vetado, dizia que a “formulação do diagnóstico nosológico e respectiva prescrição terapêutica” seriam “atividades privativas do médico”. Depois disso, explica Melissa, diversas entidades, como de biomedicina e conselhos de odontologia, passaram a emitir resoluções autorizando aqueles profissionais a formular diagnóstico e dar prescrição terapêutica.

— Profissionais de saúde começaram a identificar oportunidades. Quando os problemas começaram a surgir, em tratamentos que a medicina considera um ato dela, o Conselho Federal de Medicina começou a processar as sociedades de biomedicina, de odontologia. Eles entendem que essas autorizações colocam em risco a vida — explica. — A Justiça está decidindo conforme os processos tramitam. Muitas ações estão sendo julgadas.

A advogada afirma ainda que, conforme as decisões foram sendo concedidas, a Justiça começou a dar entendimento favorável aos médicos.

— Na dúvida, hoje, eu indicaria que procurasse um médico — aconselha a advogada. — O dentista ou outro profissional de saúde tem que ser honesto. Se naquele momento está proibido judicialmente de fazer aquele processo, ele tem que explicar isso para o paciente.

Em dezembro de 2017, uma decisão da Justiça Federal no Rio Grande do Norte, tomada após pedido da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, suspendeu resolução emitida pelo Conselho Federal de Odontologia pouco mais de um ano antes, que dava aos dentistas a permissão para fazer procedimentos como aplicação de botox e preenchimento com ácido hialurônico com fins estéticos. Caso a técnica precise ser aplicada para fins terapêuticos, não há proibição.

Segundo Flávio Luposeli, diretor científico da Sociedade Brasileira de Toxina Butolínica e Implantes Faciais na Odontologia, por enquanto os dentistas não podem fazer uso de preenchedores e toxinas em áreas cuja região anatômica tem finalidade exclusivamente estética, como o músculo da testa e nariz.

— O que está dentro do sistema que envolve músculos, articulações, dentes, lábios, língua, mandíbula e maxilar é permitido. Ou então não podemos mais exercer a odontologia. O conselho fiscaliza e pune quem vai contra a lei — diz ele.





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